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Possibilidade de cortes na ajuda da Segurança Social deixa famílias alarmadas

Possibilidade de cortes na ajuda da Segurança Social deixa famílias alarmadas
  • 15 de Junho de 2022, 08:27

A Segurança Social chegou a dar instruções aos diretores distritais para dizer aos técnicos que já era altura de retomar a reavaliação trimestral, que foi interrompida com a pandemia e, de forma gradual, proceder ao corte de beneficiários até ao limiar de 90 mil, sendo que agora são 120 mil.

Ainda assim, o Governo, responsável, já em 2020, pela decisão de expandir de forma temporária o programa a mais beneficiários, já garantiu a continuidade do programa, abrangendo, para já, o mesmo número de pessoas porque, alegadamente, as instituições que o executam estão a deparar-se com um maior número de famílias carenciadas.

Maria Amélia Vinhas, residente em Bragança, vive com um filho praticamente cego e recebe o apoio há já alguns anos. Neste momento está alarmada com a possiblidade de deixar de o receber porque era uma ajuda face aos escassos recursos e aos vários encargos financeiros. “Recebo 350 euros de pensão e pago 250 de renda de casa. O meu filho também recebe uma pensão devido ao problema de visão. Mas é quase impossível uma pessoa viver. Não nos podemos esticar muito. Temos que apertar, da maneira que isto está… é a renda, é a àgua, a luz… e algumas coisas temos que comprar de comer”.

Com 62 anos, começou a receber o apoio ainda vivia com os sete filhos, tendo sido alertada para a possibilidade, através de um colega de trabalho, uma vez que admite que sempre teve algumas carências. “A ajuda já vem de há muitos anos. Trabalhei no centro de dia da minha aldeia, Parada, e um senhor que fazia parte da direcção, ajudou-me e falou-me deste apoio porque eu sempre fui uma pessoa carenciada, com muitos filhos, sete. Comigo ainda vive um, o que tem o problema de visão”.

Maria Amélia Vinhas diz, ainda assim, que o cabaz mensal de alimentos que recebe é cada vez menor. “Há uns anos, há cerca de 15, recebia bastante. Davam leite, tanto em pó como não, arroz, massa, farinha, açúcar, creme de chocolate para barrar, manteiga, queijos, etc. De há uns tempos para cá tem vindo a diminuir muito mesmo, já nem arroz nem massa dão”, referiu a mulher que diz que ainda na semana passada esteve na Santa Casa da Misericórdia para ir levantar a ajuda e que lhe deram pouco mais que uma garrafa de azeite, manteiga, marmelada, verduras, leite e umas latas de feijão e grão-de-bico.

Maria Amélia Vinhas não tem mais ajuda além desta e teme perder este apoio.

A ministra do Trabalho, da Solidariedade e da Segurançã Social, Ana Mendes Godinho, já informou que os apoios se vão manter. Para já, não se registará qualquer mexida.

O Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas foi alargado na pandemia, quando várias pessoas perderam o emprego ou começaram a ganhar menos, entrando em contexto de exclusão social.

Escrito por Brigantia

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