Orgulho LGBTQIA+ voltou a marchar em Bragança
Em Bragança os jovens não quiseram deixar de pedir aceitação, tolerância e igualdade de direitos. “Tenho orgulho LGBTQIA+. Acredito no movimento e faço parte da comunidade. Merecemos ter direitos e ser tratados como iguais. Ainda há muita discriminação no trabalho e na escola. Isto é muito necessário”, explicou Alessandra Sousa, que disse ainda que nos dias que antecederam a marcha houve várias pessoas que não aceitaram deixar afixar os cartazes de divulgação nos seus espaços e que outros foram descolados e rasgados pelas ruas. “Temos de abrir os horizontes para as pessoas acharem isto normal e que não olhem para nós como um bicho de sete cabeças”, referiu outra participante, Rafaela Torres. Susana Faria também integra a comunidade LGBTQIA+ e participou na marcha porque “faz falta lutar”. “A sexualidade está a ficar cada vez mais aceite mas, em Bragança, já fui vítima de homofobia”, explicou.
Paulo Lopes, que integrou a organização da marcha, admite que, independentemente da identidade de género, de como as pessoas se sentem ou nascem, todos querem ver os seus direitos assegurados e, neste momento, ainda não são assumidos pela maior parte da população. “Bragança é um destes casos onde há problemas de acções discriminatórias, como no próprio IPB, onde se quer que haja inovação, conhecimento e informação. Há muitos problemas para resolver por isso é que estas marchas se fazem. A primeira foi em 2018. depois houve outra em 2019. Depois parámos por causa da covid-19, mas cá estamos de novo e continuaremos a estar, pelo menos até existir discriminação”.
Na opinião de Paulo Lopes há vários problemas que persistem e nunca é demais lutar para que o cenário mude. “Já com o Governo actual, foi aprovada uma lei para que os casais homossexuais possam adoptar crianças mas continua a existir discriminação, nesse processo, por parte dos técnicos e assistentes da Segurança Social”, explicou, dizendo que, por exemplo, no acesso à habitação também há problemas, pelo menos em Bragança, uma vez que “há uma grande quantidade de senhorios que continuam a acreditar que essas pessoas são inferiores e não são”.
A marcha teve começo junto à câmara de Bragança e percorreu alguns pontos da cidade, tendo terminado na Praça da Sé.
Escrito por Brigantia