Bragança com 10% do total da área ardida este ano no país
2022 é, desde 2017, o ano em que mais incêndios rurais já se registaram, no período compreendido entre o dia 1 de Janeiro e 31 de Julho. São mais de sete mil e quinhentos incêndios. Ou seja, já houve, este ano, até dia 31 de Julho, quase tantos fogos como em todo o ano de 2021.
Desde 2012, o ano de 2022 apresenta, o 5º valor mais elevado em número de incêndios e o 3º valor mais elevado de área ardida.
Segundo os relatórios provisórios de incêndios rurais, do Instituto de Conservação da Natureza, este ano já se contaram mais de cinquenta e oito mil hectares de área consumida pelas chamas. Entre 2017 e 2022, o ano em que mais área ardeu foi em 2020. Ainda assim, foram pouco mais de 24 mil hectares. Nem chega à metade do que já ardeu este ano.
2022 está a ser preocupante mas o Brigadeiro-general Jorge Goulão, Comandante da Unidade de Emergência de Protecção e Socorro da GNR já antevê que a situação possa piorar. “Vamos ter incêndios rurais cada vez mais complexos e altamente severos porque as condições meteorológicas e a seca vai-nos levar a que se tornem de mais difícil combate”, disse, avançando que entende assim que, não tarda estaremos perante fogos em que vai ser necessário existir uma “janela de oportunidade” para os extinguir.
Estes incêndios complexos são a “sexta geração de incêndios”, significa que são muito rápidos, intensos, difíceis de extinguir e causam danos catastróficos, sendo que chegam a libertar tanta energia que têm a capacidade de alterar as características meteorológicas ao seu redor. Assim, é necessário começar a actuar de outra forma. “Exemplos desses incêndios são os que estão a acontecer agora muito na Espanha e na França. Até propriamente em Londres houve já incêndios graves junto a casas. O futuro tem que passar por uma capacitação cada vez maior destas forças, como é o caso da Unidade de Emergência de Protecção e Socorro da GNR e tem que haver mais celeridade no combate e na actuação junto ao teatro de operações”, referiu.
No concelho de Bragança já houve, em Fevereiro, um incêndio de grandes dimensões, no Parque Natural de Montesinho. Ainda assim, segundo o presidente Comissão Municipal de Protecção Civil, Hernâni Dias, para já, está tudo a correr bem. ” Temos tido aqui alguns focos de incêndio mas, felizmente, tem havido uma grande e rápida capacidade de intervenção, com uma grande mobilização de meios, tanto aéreos como terrestres, o que tem ajudado a que rapidamente se controlem os incêndios. As coisas têm corrido bem mas não ficamos descansados. A seca que estamos a atravessar pode colocar-nos, a qualquer momento, numa situação complicada”.
Ainda assim, o também presidente da câmara de Bragança, garante não estar descansado e, por isso, a limpeza é importante. “Sobretudo na época de Verão, tentamos intervir nos caminhos rurais e aceiros, em zonas florestais. Temos tido essa preocupação e temo-lo feito, com duas máquinas de rasto, de forma muito objectiva, e com outro equipamento, removendo o material combustível. É um contributo muito grande”.
Até dia 31 de Julho, os relatórios do ICNF revelam ainda que em 2022 os incêndios com área ardida inferior a 1 hectare são os mais frequentes, são 82 % do total de incêndios rurais. No que se refere a incêndios de maior dimensão, assinala-se, até à data, a ocorrência de 12 incêndios com área ardida superior ou igual a mil hectares.
E ainda no que toca à área ardida, até agora, o distrito mais afectado é Vila Real. Segue-se o concelho de Leiria e depois o de Bragança, com 10% do total de área ardida.
Escrito por Brigantia