Miranda do Douro é o “Concelho em Destaque” deste mês
Uma das maiores identidades de Miranda do Douro é a língua. O mirandês é, desde 1999, a segunda língua oficial de Portugal. Um dos seus maiores estudiosos foi Amadeu Ferreira, que reuniu alguns mirandeses na diáspora e criou, em 2000, aquela que hoje é a Associaçon de Lhéngua I Cultura Mirandesa, com mais de 200 sócios activos.
O actual presidente, Alfredo Cameirão, confessa que, neste momento, a grande prioridade é arranjar manuais para os alunos que escolhem estudar a língua.
“Achamos que essa é também uma das prioridades, arranjar material didáctico que possa ser utilizado nas escolas de Miranda onde já se lecciona o mirandês, nos nossos cursos online e depois poderem ser utilizados por eventuais interessados”, referiu.
Da língua passamos para a cutelaria. São precisos cerca de 80 passos para construir uma navalha de Palaçoulo, uma identidade tão associada ao concelho. É nesta aldeia, Palaçoulo, que se encontra a Cutelaria Martins.
Tal como vários objectos do nosso quotidiano, a navalha seguiu modas e tendências e, hoje em dia, segundo explica um dos filhos do fundador e sócios-gerentes da empresa, Alberto Martins, a cutelaria produz produtos costumizados conforme os gostos.
“Temos sobretudo o mercado dos brindes empresariais, temos mercado do souvenir em que trabalhamos de uma forma muito acutilante para o turismo, temos a área da restauração a quem fornecemos os nossos talheres e temos também as lojas físicas e página web”, disse.
E agora rumamos novamente à cultura…. Criado em 1982, o Museu da Terra de Miranda vai brevemente entrar em obras. Será requalificado o espaço e, além disso, foi comprado um edifício contiguo, para que este seja alargado. Celina Pinto, directora do museu, afirma que quando se voltarem a abrir portas estaremos perante um espaço novo, mas sobretudo moderno.
“Os conteúdos que estão exclusivamente pensados para este museu e que irão introduzir novos conhecimentos e novos conteúdos tem a ver com a contextualização geográfica, a língua, queremos também ter mais destaque nas artes e ofícios, como a introdução de conhecimentos ligados à tanoaria e cutelaria, queremos também destacar a parte da mulher, os contextos domésticos, conhecimentos e saberes ligados à tecnologia têxtil”, explicou.
Foi em Miranda que se conservou uma das últimas variedades autóctones de asininos no território nacional: a Raça Asinina de Miranda. A raça esteve em risco mas o presente é risonho, já que em 2005 nasciam, em média, 1 a 2 burros por ano e agora nascem cerca de 30.
Foi naquele ano, 2005, que os trabalhos de preservação da espécie começaram, com a criação do Centro de Valorização do Burro de Miranda. Um centro bastante importante, explica Miguel Nóvoa, secretário técnico da Raça Asinina de Miranda e membro da direcção da Associação Para o Estudo e Protecção do Gado Asinino.
“Tem como missão contribuir para o aumento do número de nascimentos anual para a conservação do Burro de Miranda. Quem nos visita tem sempre a sorte de ver um conjunto variado de espécies, de aves, plantas de uma riqueza florística e faunística que muitas vezes não se conseguem encontrar”, referiu.
A língua, as navalhas, o museu e os burros são só alguns dos temas que há para conhecer sobre Miranda do Douro. Há muito para descobrir….
Miranda do Douro é o “Concelho em Destaque” deste mês de Agosto. Uma reportagem para ouvir depois do noticiário das 17h e para conhecer também na edição desta semana do Jornal Nordeste.
Escrito por Brigantia
Foto Burro de Miranda: Cláudia Costa