Caso os cenários de seca persistam algumas espécies podem perder-se, não só aquáticas como terrestres
A conclusão é do investigador e professor do Instituto Politécnico de Bragança, Amílcar Teixeira, que se dedica ao estudo dos ecossistemas aquáticos e à ecologia. Perante o ano que atravessamos, em que a água começa a ser pouca e as temperaturas são altas, garante que alguns animais podem morrer. “Se formos pensar numa década em que em oito anos acontecem estes eventos, podemos perder algumas espécies, não só aquáticas mas terrestres, e em algumas zonas do território vai haver uma reorganização em função da adaptação às variações que acontecem ao nível climático, isto acontece com naturalidade”, sublinha.
Estudos apontam que nos próximos anos 50 muito dos habitats vão perder-se para espécies que estão mais ameaçadas. Por isso, o investigador afirma que é fundamental tomar medidas para evitar o desperdício de água. E algumas delas podem ser adoptadas na agricultura, onde há mais consumo. “Uma vez que a agricultura é responsável pelo uso, na ordem dos 80% da água disponível, é encontrarmos aqui um processo mais eficaz, mais eficiente, recorrendo às novas tecnologias, rega gota a gota, agricultura de precisão. Outro aspecto importante, e que é um problema, tem a ver com a reutilização das águas residuais. Neste momento, estão contabilizadas reutilizações na ordem dos 5%, repare na grande quantidade de água que podemos, se a soubermos tratar, reutilizar e usar para consumo. Essa água pode ser usada, por exemplo, para regar os jardins”, referiu.
Períodos de temperaturas altas e pouca chuva podem repetir-se. Amílcar Teixeira acredita que este não será um ano excepcional de seca.
“Tudo leva a crer que possamos ter mais eventos a ocorrer com maior frequência como o que aconteceu este ano. Já em 2017 aconteceu. A memória que temos mais presente das últimas duas décadas dão-nos indicação de, pelo menos, termos períodos de seca muito prolongados alternando com períodos curtos de precipitação lançam algum cenário de preocupação”, sublinhou.
Declarações de Amílcar Teixeira, investigador e professor do Instituto Politécnico de Bragança, sobre a seca, o impacto que pode ter nos ecossistemas e possíveis soluções para evitar anos como este. A entrevista pode ser lida na íntegra na edição desta semana do Jornal Nordeste. Escrito por Brigantia.