Novos ataques a rebanhos registados na região
“Este ano é o segundo ataque de que sou alvo. Há cerca de dois meses mataram-me cinco animais, três morreram no imediato e duos ficaram feridos, mas também acabaram por morrer. Entretanto tive conhecimento que o lobo já se aproximou várias vezes das ovelhas, eu vi-o uma vez próximo da rede e só não entrou porque os cães não permitiram. Já os voltei a ver mais duas vezes e agora voltaram a atacá-las, mantando dois animais. O ataque deu-se por volta da meia-noite e meia ou uma da manhã. Há 15 dias mandaram-me 250 euros pelo carneiro que o lobo agora me matou, e não o vendi porque tinha uma grande estima por ele. A ovelha vale, no mínimo, 100 euros. Já estou a ficar cansado disto e vou desfazer-me dos animais, porque não há forma de isto se resolver”, afirmou.
Alexandre Moreira defende que sejam tomadas medidas para prevenir estes ataques, que têm sido frequentes.
“Ultimamente já não se ouvia falar em lobos e agora volta a ouvir-se. Ouvem-se várias versões. Uma delas é que havia em Espanha, na zona de Zamora, viveiros de lobos, e com os grandes incêndios que lá ocorreram, os animais terão fugido para o lado português. Não sei se é verdade mas uma coisa é certa, há por aí bastantes lobos e têm causado ataques em várias aldeias aqui perto. Se quisessem manter a espécie era tão simples quanto o Estado fazer vedações nas suas propriedades e pô-los lá. Criavam também uma linha para se poder ligar quando um animal morresse. Assim mantinham os lobos, pois da forma que está não vão conseguir, porque as pessoas se puderem abatem-nos e se houvesse uma reserva tinham sempre alimento. Assim a espécie resistia”, propõe.
Mas este não foi caso único. A cerca de 13 km, a semana passada, foram dois a atacar as ovelhas de Maria José, na aldeia de Vinhas, no concelho de Macedo de Cavaleiros. Esta pastora conta que duas morreram e oito ficaram feridas. “Soltei as ovelhas como de habitual, às 6h/6h30, e por volta das 8h o meu marido olhou para o rebanho e viu os animais a fugir. Sentiu o barulho dos cães também, e quando olhou viu dois lobos atrás delas. Gritou muito, ao ponto de ficar rouco, pois eles não queriam ir embora, tiveram de ser os cães a espantá-los. Parecem estar habituados a pessoas. Duas ovelhas morreram logo, uma foi rasgada na barriga, as tripas caíram ao chão e morreu de imediato. A outra foi atacada no pescoço e num quarto. Também morreu logo e estava prenha. Agora está lá outra que também vai morrer porque as golas foram muito furadas e não come. O veterinário já nos disse que não vai curar. Foram feridas oito”, explica.
Maria José já faz contas ao prejuízo e espera vir a ser indemnizada. “Só pelas ovelhas mortas são, pelo menos, 300 euros, pois dei 100euros por cada uma. Daquela que ia parir e morreu, se vendesse os dois cordeiros pequenos eram logo 100 euros. Além disso, há a despesa de pagar ao veterinário e os medicamentos. Eu chamei as autoridades e o ICNF. Acho que deveriam pagar as despesas aos agricultores todos que foram afectados”, afirmou.
Contactámos o Instituo de Conservação da Natureza e Florestas que respondeu ser alheio à libertação e alimentação destes lobos.
Informaram também que “conforme previsto na legislação aplicável, os danos que comprovadamente resultem de ataques ao gado, ou a cães de proteção ou condução de rebanho, são indemnizados pelo Estado.”
Já a semana passada se registou um outro ataque, ao rebanho de um pastor na aldeia de Vila Franca, no concelho de Bragança, que matou cinco animais e feriu outros dois. Escrito por Onda Livre (CIR).