Trabalhadores da Faurecia em greve hoje e amanhã: pedem aumento salarial
Esta manhã, alguns deles concentraram-se à porta da fábrica do ramo automóvel para pedir um aumento salarial.
Susana Pires é funcionária da Faurecia há 21 anos e juntou-se aos protestos, tal como fez em Julho, na última greve. Diz que há 10 anos recebia até mais do que agora e, por isso, pondera até deixar a fábrica.
“Está a ser muito difícil suportar os custos, não sei como irei fazer, se terei que emigrar, é impossível suportar isto. Tenho que ponderar sair, porque os gastos são muitos, os empréstimos a aumentar, luz aumentar, gasóleo aumentar, tudo a aumentar. Tenho duas filhas, uma de 15 e outra 11, está a ser muito complicado”, referiu.
Rui Pereira, dirigente sindical e delegado da Faurecia, afirma que a greve começou a fazer-se sentir já no turno da noite. Esta greve está prevista que decorra hoje e amanhã.
“No turno da noite ronda os quase 70% e agora no turno da manhã ronda os 55%. Tendo em conta a pressão que houve por parte da empresa até ao dia de ontem em tentar dissuadir as pessoas para não fazerem greve”, frisou.
Os trabalhadores pedem um aumento salarial. Esta reclamação não é nova mas como ainda não foi atendida voltou a levá-los para a rua.
“É um caderno reivindicativo que já apresentámos há mais de dois anos, o ponto base da reivindicação é o aumento extraordinário de 90 euros, que esbarrou num redondo ‘não’ da parte da empresa, que aposta noutras formas de tentar colmatar as carências que pratica com o salário mínimo, mas que não são solução, nem de longe, nem de perto, para conseguir ultrapassar as dificuldades”, explicou.
O dirigente sindical mostra-se indignado com o facto de gerarem muito lucro mas os salários continuarem baixos.
“Sabemos que produzimos milhões, mas são diluídos nos salários do mesmo grupo nas empresas de França e Alemanha, porque se nós produzirmos o mesmo produto, num país, a um preço mais baixo, porque ganhamos menos? Onde vai bater o lucro da nossa empresa? Onde vai bater o dinheiro público investido nesta empresa a não ser em três ou quatro sócios sub capitalistas do grupo?”, questionou.
A Faurecia tem cerca de 450 trabalhadores. Até agora, a direcção da fábrica não quis prestar qualquer esclarecimento sobre a greve.
Escrito por Brigantia