Professores protestaram esta manhã e estão indignados com António Costa ter dito que não há dinheiro para repor os anos de serviço
O delegado sindical dos Professores da Zona Norte, Manuel Pereira, não compreende como há dinheiro para algumas coisas, menos para a Educação.
“Nós ouvimos ontem o primeiro-ministro a dizer que não havia dinheiro para os professores, mas eu recordo que há dinheiro para a EFACEC, há dinheiro para a CP, há dinheiro para a TAP e para os professores não há. Isto só pode ter uma resposta que é continuar o protesto. Para a semana vamos ter a semana do debate democrático pela dignificação da docência, em que teremos plenários em várias escolas do distrito e em que vamos abordar e analisar as propostas do Governo, falar com os colegas sobre o que eles acham que devemos continuar a fazer perante esta intransigência do Governo”, afirmou.
Esta manhã, os professores concentraram-se à porta do Agrupamento de Escolas Miguel Torga em Bragança a pedir respeito, a recuperação de seis anos e meio de serviço, a alteração do estatuto de mobilidade por doença e as cotas para os quinto e sétimo escalões. Isabel Guerra, professora do primeiro ciclo, há 21 anos, queixa-se de todos os anos ter que concorrer para uma colocação.
“Todos os anos tenho que concorrer, não tenho instabilidade. Dá-me a sensação que aquilo que o Ministério está a negociar é a pensar em Lisboa, mas Portugal não é só Lisboa e a região de Trás-os-Montes tem uma realidade muito diferente do resto do país. A educação não é uma prioridade? Falha a educação, falha uma nação”, referiu.
Esta manhã o ministro da Educação está com os sindicatos dos professores para mais uma ronda de negociações. Carlos Silvestre, responsável pela plataforma de sindicatos, acredita que nada vai mudar e que as greves vão continuar. E obrigar os professores aos serviços mínimos é inconstitucional.
“Mais uma vez com a prepotência e arrogância deste Governo, estão agora a tentar fazer coacção com os professores. Além de ser uma coacção, é inconstitucional esta situação, porque estão a querer colocar serviços mínimos nas greves, isso é impensável”, frisou, acrescentando que para “2 e 3 de Março” têm marcadas duas greves.
O Ministério vai ainda reunir com o Colégio Arbitral, hoje, para determinar se os professores vão ter que prestar serviços mínimos. Na próxima quinta-feira, será a última ronda de negociações entre o ministro da Educação e os professores.
Escrito por Brigantia