200 pessoas participaram numa vigília “Por uma escola de Qualidade” em Mirandela
Continuam a não ser atendidas pelo Ministério da Educação as reivindicações dos docentes, nas várias rondas negociais que têm sido realizadas nos últimos três meses, a última ontem. Maria Lopes, técnica especializada que lecciona na área da restauração, está há 11 anos na mesma escola contratada.
“Eu estou aqui porque desempenho funções de docente, tenho obrigações de docente, no entanto sou tratada como diferente. Neste momento estão a regularizar a nossa situação, mas o que acontece é que nos estão a propor condições de não docentes, 35 horas semanais, um ordenado inferior e os deveres são os mesmos que o dos colegas que apoiamos a luta e queremos ter os mesmos direitos”, frisou.
Céu País é professora de ciências e Biologia no ensino secundário e está perto da reforma, ainda assim também está solidária nesta luta dos seus colegas de profissão.
“Estou aqui a lutar não só por mim, mas por todos os meus colegas e para termo suma carreira digna e com respeito, que é aquilo que nos falta. Neste momento inquieta-me que cada vez mais os nossos alunos estão a ser prejudicados, não é pelas greves, é pela nossa carreira. Nós estamos com alunos que não nos respeitam, porque também o Ministério da Educação não nos respeita. O que mais inquieta é que daqui a uns tempos passamos alunos sem saber ler nem escrever, porque é isso que o ministério quer”, afirmou.
Rui Feliciano, da comissão de greve do agrupamento de escolas de Mirandela que organizou a vigília no parque do Império e o cordão humano na ponte Velha da cidade, mostra-se satisfeito com a adesão dos profissionais da educação e da sociedade civil.
“É uma adesão muito significativa. Temos muitos profissionais da educação, temos muitos pais e curiosamente temos colegas de outros agrupamentos que vieram em representação, também para mostrar solidariedade connosco nesta primeira vigília. Eu vi muitas caras conhecidas do poder autárquico, do poder político, que estão aqui connosco, significa que também eles estão preocupados com esta situação que está acontecer em Portugal”, disse.
O também delegado do STOP – Sindicato de Todos os Profissionais de Educação – adianta que uma delegação da região vai participar, este sábado, em Lisboa, em mais uma manifestação de protesto que desta vez terá a originalidade de organizar um acampamento junto à Assembleia da República.
Escrito por Terra Quente (CIR)
Foto: Rádio Terra Quente