Banda Filarmónica de Vimioso: uma casa e uma família
A Banda Filarmónica da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vimioso renasceu há 25 anos.
Patrícia Carvalho, de 33 anos, pertence à banda desde os sete. Esta é uma casa onde se aprende muito mais que música e é de gerações, tendo a particularidade de unir pessoas de várias idades, tal como acontece com este membro e com a filha.
“Além de ser uma aprendizagem a nível musical, é uma aprendizagem a nível pessoal e em conjunto. Aqui na banda aprende-se horários, temos que te responsabilidade e é convívio com pessoas de várias faixas etárias. Sou mãe, tenho uma filha com quase três anos e agora vem ao ensaio comigo”, disse.
Vera Trigo, de 30 anos, integra a banda há 20. Ao contrário de Patrícia Carvalho, ainda não tem o filho, propriamente, naquela casa, mas não tarda. Está grávida e vê-lo seguir as suas pisadas é um dos seus grandes objectivos.
“Vou tentar, tal como o meu pai fez, de incutir um bocadinho, espero que ele goste. Já estou a fazer um treino na gravidez, que é ouvir mais música clássica, que é para ele também desenvolver essa parte”, referiu.
Martim Moscoso é mais jovem. Tem 12 anos e integra a banda desde os três. Começou por integrar a escolinha de música, que é dedicada os mais pequeninos e, depois, quando atingiu o patamar necessário, entrou para a banda. Toca trompete e também diz que isto é muito mais do que música.
“O convívio entre as pessoas faz com que a pessoa se torne melhor na sua comunicação, ter em mente que nós temos que ter respeito pelos professores e colegas. Nós damo-nos muito bem, somos uma família aqui na banda”, salientou.
Quem já seguiu o caminho da música, por causa da banda, foi Inês Neves, de 20 anos. Integra a casa desde os oito e também considera que muito ali já aprendeu.
“Desde pequenina comecei a cantar em festivais, ingressei na Exproarte em 2019 e decidi ir para o ensino superior em Ciências Musicais. A minha irmã já andava aqui há cinco anos quando eu vim para a banda e é uma coisa que há na comunidade que nos junta muito”, contou.
Ana Cavaleiro é a maestrina da banda há 15 anos, sendo que a integra há 25. Afirma que é o espírito de união que leva a que as pessoas procurem esta instituição.
“A conta com a escolinha de música, com a escola de música e com a própria banda são cerca de 100 pessoas. A nossa banda tem um conceito um pouco peculiar, ensinamos muito mais do que música, aliás o nosso lema, que nos deixou o antigo mestre, era Amizade, União e Espirito de Sacrifício. Nós ensinamos, acima de tudo, valores e isto é uma segunda casa”, frisou.
A banda apresentou-se à comunidade, no sábado, no habitual concerto de Páscoa. É um concerto que existe há 23 anos e é um dos pontos mais altos para esta família, que, além dele, faz ainda apresentações pontuais em feiras e romarias e também nas comemorações do 25 de Abril.
A banda está a celebrar 25 anos da sua reactivação, sendo que já existiu nos anos 30. Desde que foi reactivada já viu por ali passar mais de 150 pessoas.
Escrito por Brigantia