Mário Centeno assume que inflação é tão destrutiva como uma crise económica
A implementação da taxa de IVA zero a vários produtos alimentares em vigor desde a semana passada não colhe muita simpatia por parte do Governador do Banco de Portugal. Foi o que deixou entender Mário Centeno, na passada sexta-feira, em Mirandela. “Claramente o IVA zero não está focado nos mais vulneráveis porque todos beneficiamos, se alguém beneficiar, porque há dúvidas em relação a isso, e tem um custo orçamental que pode não ser o mais eficiente”, disse.
O antigo Ministro das Finanças avisa que as taxas de juro “só devem começar a descer em 2024”, se bem que deva estar para breve o pico dos aumentos que o Banco Central Europeu tem estado a implementar. “Quando pararem de subir, elas não vão descer imediatamente, vão ficar lá em cima durante algum tempo e enquanto isso acontecer todos vamos estar numa situação de aperto financeiro, até que, tudo correndo bem, em algum momento de 2024, as taxas de juro vão começar a descer”, adiantou.
Já quanto à inflação, o Governador do Banco de Portugal acredita que ela vai continuar a descer mas “só atingirá os 2 por cento no final de 2024, ou inícios de 2025. “
Declarações de Mário Centeno, na passada sexta-feira, em Mirandela, durante uma conferência sobre “a economia portuguesa: Desafios para o tecido empresarial português”, que aconteceu na Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo de Mirandela.
Uma iniciativa que a diretora daquela escola do IPB, Sónia Nogueira, considera ter sido “marcante” para a instituição de ensino superior. “Acima de tudo proporcionou esta possibilidade de educação para a comunidade académica e faz parte de qualquer instituição do ensino superior compreender a economia e associado a isto sendo o Governador do Banco de Portugal um expert na matéria, é sem dúvida muito enriquecedor”, afirmou.
Ainda antes desta conferência, Mário Centeno esteve de visita à escola Secundária de Mirandela, onde simulou uma aula de economia para alunos que estão nessa área. O diretor do agrupamento de escolas de Mirandela sublinha a importância desta visita do Governador do Banco de Portugal para os alunos. “Foi uma aula em que os alunos aprenderam com uma referência de topo conceitos desmultiplicados e facilitadores para a sua compreensão e é importante que a nossa escola se abra ao exterior que faça com que as instituições venham à nossa escola e tenham uma dinâmica de abrir novos horizontes”, afirmou Carlos Lopes que também destacou o facto de esta visita ter sido possível devido à influência de uma ex-aluna daquela escola, que agora faz parte da equipa de Mário Centeno. “É a prova que numa escola do interior, os alunos também têm sucesso e podem chegar ao topo e depois ficam com uma interligação com o estabelecimento de ensino onde começaram o seu percurso”, acrescentou.
Resta dizer que o Governador do Banco de Portugal não prestou declarações à comunicação social.
Escrito por Terra Quente (CIR)