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Bragança é uma das regiões que precisa de enfermeiros mas o Estado deixa-os escapar para o estrangeiro

Bragança é uma das regiões que precisa de enfermeiros mas o Estado deixa-os escapar para o estrangeiro
  • 20 de Junho de 2023, 08:13

Na região, a falta de médicos, em algumas especialidades, não é novidade para ninguém. Mas a falta de enfermeiros também é bem notória. À margem de uma formação de socorro pediátrico, que se realizou em Bragança, João Paulo Carvalho, lamentou que este problema se arraste há tantos anos. “A questão é que este Governo não permite que se contratem. Os enfermeiros estão perfeitamente disponíveis para vir para Bragança, tal como estão para ir para Vila Real, para Braga, ou para Viana do Castelo e para o Porto. A questão é que este Governo, tal como muitos outros, para tentar manter as contas do Serviço Nacional de Saúde mais estáveis, dizem eles, não tem permitido contratação. Ainda assim, o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde tem tentado contratar mais enfermeiros, mas ainda não são suficientes”.

A vida não está muito fácil para estes profissionais que, muitas vezes, a única solução que têm à frente é emigrar. “a nossa carreira desde 2009 que deixou de ser atractiva. Neste momento, precisamos de 100 anos para conseguir atingir o topo de carreira. Temos um ordenado base de 1200 euros para uma profissão tão diferenciada tecnicamente e cientificamente, com um nível de responsabilidade grande. Isto não é apelativo. Por alguma razão que os nossos enfermeiros recém-licenciados estão a ir para o estrangeiro. Em Portugal não há motivação nem somos acarinhados da forma que deveríamos ser para estar no SNS”.

Este foi o terceiro workshop realizado na sequência do Congresso de Emergência Extra-hospitalar, que aconteceu dia 2 de Junho, na Maia. Estas formações descentralizadas fazem falta a estes territórios, considerou João Paulo Carvalho. “Bragança tem um hospital que não tem capacidade de dar resposta a todas as situações e, por isso, este tipo de formações são essenciais, para treinar, de forma adequada, quer os profissionais de saúde, quer os cidadãos, para dar uma primeira resposta, para que depois as crianças, adultos e idosos possam ser transferidos para um hospital em que tenham um tratamento mais definitivo, como todas as condições de segurança e cuidados de saúde de maior qualidade”.

Esta formação, de extracção e imobilização adequadas das vítimas de trauma, em que João Paulo Carvalho esteve, “é essencial” porque o conhecimento tem que ser “renovado e partilhado”. E sobre a formação, adiantou ainda que, numa situação de trauma de uma criança, se deve manter a calma, tentar não mexer demasiado na vítima e ligar, podendo, de imediato, para o 112.

Escrito por Brigantia

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