Moradores de bairro social de Bragança em desespero porque lhes chove em casa
A situação arrasta-se há vários dias e câmara municipal já está a par, mas o problema continua por resolver. Serão feitas obras mas só quando o bom tempo estiver de volta. Até lá, os moradores terão que aguentar.
Em 2015 foram feitas obras nos vários prédios que há no bairro. Os moradores dizem que desde aí começou a chover em alguns apartamentos mas não era nada de especial. Contudo, este ano, em algumas casas chove de forma a nem haver mãos a medir para verter a água que vai caindo nos baldes que a aparam.
Fátima Mendes vive há 23 anos no bairro e chove-lhe na cozinha e na sala de estar há mais de duas semanas. Nestas divisões mal se cabe com tachos e alguidares e a indignação já é muita.
“Isto não pode ser. Estar de baixo de água, nem posso fazer de comer, nem posso nada”, disse a moradora, que acrescentou que antes das obras “isto não acontecia”. “Desde que puseram estes painéis e estes telhados… isto é uma porcaria”, rematou. A moradora tem que proteger os móveis e um “já está podre”. “Dizem que não cobrem… têm que cobrir. Eu não tenho marido, não tenho quem me o ganhe”, vincou.
Maria Baptista também é vizinha de Fátima Mendes, vive no andar de baixo. Na casa desta idosa chove na cozinha e não há descanso. “De noite tenho que me levantar. Tenho que pôr o despertador no telemóvel para a cada bocadinho vir limpar a água. Se não vai pelas paredes abaixo e para o chão. Tenho a cabeça chocha porque não durmo o suficiente. Isto é uma pilha de nervos”.
O problema já não é apenas nos andares de cima. A infiltração é tanta que chegou ao rés-do-chão, a casa de Amândio Lopes. Tudo começou no fim da Primavera e até agora nada foi feito. “Eles já estiveram aqui, no tempo bom, e prometeram que iam arranjar. acabou o tempo bom e ninguém veio arranjar nada. Isto está assim desde as primeiras chuvas que vieram em Junho”, referiu o morador, que acrescentou que não consegue dormir descansado. “Dormir? Não é fácil. Cada vez que me levanto para ir à casa de banho venho aqui ver isto, ver se o tecto já caiu”, esclareceu.
Há mais de 40 anos que Maria Helena Almeida vive no terceiro andar de uma das casas sociais do bairro. Foi ali que viveu com o marido e dois filhos. Com 75 anos, está sozinha e quando a chuva chegou, valeram-lhe os vizinhos. Com as lágrimas nos olhos, lembra os dias de tormenta. “Com esta chuva… foi muita água aqui. Tive que mudar a arca e o frigorifico de sítio por causa da água. Teve que vir cá o meu genro porque a água corria pelos caninhos da luz. Eu já fui à câmara quatro vezes. Dizem que já vêm mas nada. Isto é muita tristeza. Acho que não temos um presidente de câmara como devia ser”.
O presidente da câmara, Hernâni Dias, explicou que há um “problema estrutural” das caleiras e dos tubos de queda e que os fixadores de painéis solares ultrapassam a cobertura e, com a dilatação, “deixam entrar a água”. Há ainda detritos acumulados, nas caleiras e tubos de queda, provenientes das centenas de pombas que ali dormem à noite. Depois das obras de 2015 voltarão a ser feitas mais obras… mas só quando o bom tempo estiver de volta, o que significa que o Inverno vai ser muito longo para os moradores. “Vamos corrigir aquilo que for possível corrigir para garantir as boas condições de habitabilidade dos apartamentos. No entanto há aqui um investimento mais avultado e que implica o levantamento de toda a cobertura para colocação das caleiras no exterior. Está a ser feito esse diagnóstico, nesse momento, mas este é um problema estrutural e não é possível resolvê-lo no imediato. Teremos que esperar por um tempo mais sereno, onde haja possibilidade de levantar as coberturas e voltar a colocar”.
O autarca confirmou ainda que há várias pessoas que têm reportado esta situação à câmara e assinalou que estas são “atendidas de imediato”. Mas até que se voltem a fazer obras, os moradores terão que continuar a aguentar a água que lhes entra em casa.
Escrito por Brigantia