Convento de Balsamão já acolheu 140 refugiados e migrantes de várias partes do mundo
Vêm da Nigéria, Marrocos, Nepal, Índia, Argélia, Paquistão, Bangladesh, Timor-Leste, entre muitos outros sítios. O Convento de Balsamão é visto como um ponto de viragem na vida de muitos, como é o caso de Adeleke Abesin. Tem 29 anos e é da Nigéria. Mas, estava a estudar Medicina na Ucrânia quando o país entrou em guerra e foi obrigado a abandoná-lo. Agora quer ser médico em Portugal. “É muito bom termos vindo até aqui. As pessoas são muito simpáticas e muito hospitaleiras connosco. A comida é muito boa. Comemos batatas, porco, bifes, arroz. A comida é muito boa”.
Já Lúcia Alves é migrante. Natural de Timor-Leste, veio com o marido à procura de uma vida melhor. Tem 23 anos. “Vim para aqui porque precisava de procurar trabalho para sustentar a minha família. Estou aqui muito contente e com muito orgulho porque eu aprendo aqui muito. Aprendi a fazer comida portuguesa, aprendi português e história de Portugal”.
Por ali passam pessoas de diferentes países e, inevitavelmente, também diferentes culturas e religiões. O padre Eduardo Novo admite que o contacto com diferentes religiões é “interessantíssimo”. “Obviamente que há diferenças culturais que se manifestam, como nas refeições, mas aquilo temos essa sensibilidade e esse carinho. Temos também essa sensibilidade. Por exemplo, um hindu não como carne de vaca às terças-feiras, um muçulmano não come porco, portanto, houve também a necessidade de nos adaptarmos a estas realidades”.
Já a coordenadora desta estrutura temporária de acolhimento reconhece que todos os dias é um “desafio constante”. Susana Magalhães conta que nem sempre é fácil “educar e formar pessoas” adultas. “Educar e formar pessoas não é fácil e isso é o maior desafio. É todos os dias, repetidamente, a dizer as mesmas coisas, das coisas mais elementares, como fazer a cama, usar talhares”.
A juntar-se a todas estas dificuldades está a de arranjar emprego. Por isso, está já na calha um projecto para a criação de uma empresa que dê trabalho remunerado a estas pessoas, por exemplo, na limpeza das ruas ou até na criação de uma gelataria no Azibo.
O Convento de Balsamão já acolheu cerca de 140 refugiados e migrantes de várias partes do mundo, sendo uma ponte para uma vida melhor.
Escrito por Brigantia