Estudantes africanos do IPB continuam sem conseguir visto
Esta é uma das principais dificuldades dos jovens africanos que vêm estudar para Portugal.
A presidente da Associação de Estudantes Africanos do IPB, Romana Brandão, explica que há alunos ilegais porque não conseguem fazer marcação na AIMA, antigo SEF. “Alguns estudantes vêm com visto da Mobilidade do Estudante e nesse caso já vêm com a marcação para o SEF (actual AIMA), vêm com o link para marcação e alguns estudantes pelo sistema burocrático do próprio país não conseguem adquirir essa marcação. E o sistema para fazer uma marcação é muito mais complicado, então alguns estudantes acabam por perder a data de validade do seu visto e colocam-se numa situação de ilegalidade no país”, referiu.
Esta é uma das conclusões de um estudo sobre estudantes oriundos dos PALOP e de Timor-Leste a frequentar o Ensino Superior em Portugal, entre 2015 e 2020, apresentadas, ontem, no IPB.
Foi ainda feito um inquérito, o ano passado, que permitiu perceber que há outras dificuldades, adianta um dos responsáveis, Ricardo Biscaia. “As dificuldades financeiras e as dificuldades académicas estão lado a lado, não só as dificuldades que os estudantes têm do ensino secundário de base, depois quando chegam aqui apanham com algumas diferenças culturais e académicas, mas também porque vêm num contexto que são forçados a trabalhar por dificuldades financeiras, ou porque, nomeadamente os estudantes da Guiné-Bissau, têm um grande atraso na atribuição de visto e chegam tarde e perdem uma parte do semestre”, apontou.
O secretário de Estado do Ensino Superior, Pedro Nuno Teixeira, esteve presente na sessão e adiantou que, no próximo ano, a burocracia para os estudantes estrangeiros vai ser tratada de forma mais célere e simplificada. “Quando o estudante confirma a matrícula presencialmente, entrega essa informação à instituição de ensino superior, que transmite essa informação à Direcção-Geral de Ensino Superior e nós transmitimos à AIMA. Isso vai dispensar esses estudantes de terem que fazer essa entrevista, que no fundo era necessária para a AIMA saber que estes estudantes existiam, que tinham um conjunto de dados tratados, o número de identificação fiscal, segurança social, etc, como toda essa informação é entregue às instituições de ensino superior, vamos agilizar esse processo para dispensar os estudantes da marcação da entrevista que era o que desgastava muito os estudantes”, esclareceu.
Segundo o estudo, o Instituto Politécnico de Bragança é a instituição de ensino superior do país que mais alunos dos PALOP acolhe. O presidente, Orlando Rodrigues, explica que é o resultado de uma estratégia das últimas duas décadas. “Hoje em dia uma instituição de ensino superior que sabe funcionar com uma dimensão multicultural e internacional é claramente uma instituição voltada para o futuro”, vincou.
O estudo deixa ainda saber que no ano lectivo de 2019/2020 mais de metade dos estudantes oriundos de Cabo Verde e Guiné-Bissau desistiram do ensino superior em Portugal.
Escrito por Brigantia