Pedra que caiu da fachada da Igreja de Santa Maria há 10 anos continua por colocar e paróquia teme desgraça
Dez anos depois e a pedra continua por colocar e a fachada da igreja por requalificar. A mordomia vem agora denunciar a situação, porque está farta que nada se faça. Jorge Martins está há mais de duas décadas na mordomia da igreja e, por isso, acompanhou todo o processo. “Contactamos o IGESPA e passado meia dúzia de meses apareceu uma equipa de seis elementos. Estivemos cerca de cinco anos à espera que fizessem o levantamento. Passados cinco anos contactámos uma empresa de Bragança para pintar a igreja, compor o telhado e deu-nos um orçamento na ordem dos 6 mil euros para pôr uma pedra igual, com granito velho. Entretanto, passado um mês e meio apareceu uma equipa do IGESPAR, do Porto, a dizer que não podíamos fazer nada e tínhamos que esperar que fosse feito o levantamento e mandou para a câmara de Bragança um orçamento de mais de 45 mil euros. Quisemos fazer a obra e aconselhou-nos a não por a pedra, com aquela empresa”,
E entretanto já passou uma década. Jorge Martins disse já ter contactado, por telefone, várias vezes o IGESPAR, mas que nunca ninguém atendeu. A mordomia receia que mais pedras possam cair. “Pode estar em derrocada outras pedras que estavam juntas com aquela. Podem cair amanhã como podem não cair”.
Já foi feito um pedido à autarquia para ajudar a financiar as obras, uma vez que a paróquia diz não ter esse dinheiro, mas, até agora, não recebeu qualquer resposta.
O Padre Calado, responsável pela Paróquia de Santa Maria, disse que não iria prestar declarações. Referiu apenas que todos os 15 de Agosto, data da celebração da padroeira Nossa Senhora do Sardão, apela ao município para que se resolva o problema e alerta ainda para o perigo de ruína da fachada.
A Câmara Municipal de Bragança admitiu que recebeu um orçamento para a requalificação da fachada da igreja, na ordem dos 47 mil euros. No entanto, o presidente da câmara em exercício, Paulo Xavier, salientou que “não foram dados os passos certos” e atribuiu responsabilidades às entidades competentes. “Estamos a falar de um património classificado e esta intervenção carece de um parecer da CCDR-N (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte). Por isso, estas instituições devem coordenar-se entre sim. O município como está sempre ao lado da solução está disponível para apoiar a solução que virá a ser encontrada”.
A igreja de Santa Maria, também conhecida por igreja da Nossa Senhora do Sardão, é um dos tempos religiosos mais antigos de Bragança. A sua construção terá começado nos séculos XI e XII. A arquitectura é predominantemente barroca e advém das sucessivas obras ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII. A fachada da igreja, de onde caiu a pedra, remonta ao século XVI.
No entanto, a CCDR-N, em resposta ao Jornal Nordeste, referiu que a Igreja de Santa Maria “não é monumento classificado”, contrariando as declarações de Paulo Xavier, explicando que está “apenas abrangida pela zona especial de protecção do Castelo de Bragança”. Acrescentou ainda que o imóvel “não é propriedade Estado Português” e, por isso, a responsabilidade das obras é do proprietário da Igreja, ou seja, a paróquia de Santa Maria. Concluiu explicando que o IGESPAR “sucedeu a Direcção Geral do Património Cultural e não a Direcção Regional de Cultura do Norte”, o que significa não têm responsabilidade sobre qualquer parecer.
Escrito por Brigantia