Região

Produtores e associações de cogumelos pedem lei para regulamentar apanha e comercialização

Produtores e associações de cogumelos pedem lei para regulamentar apanha e comercialização
  • 6 de Novembro de 2024, 09:01

Devido ao potencial económico muitos são furtados. Os produtores e associações reclamam criação de lei que controle a apanha e a comercialização.

João Lopes viu-se obrigado a deixar a sua produção de cogumelos, porque grande parte era furtada. O agricultor tem uma grande propriedade em Santa Comba de Rossas, no concelho de Bragança. Onde tem os cogumelos está tudo vedado, mas ainda assim, os predadores entram. “Começaram andar de noite com as pilhas, mas são muitas pessoas, são 20 ou 30. Quando eu ia com o pessoal já estava tudo virado e para mim já não era lucrativo. Isto desmotiva”, contou.

Os cogumelos podem custar algumas dezenas de euros ou até mesmo centenas. Este potencial económico alicia pessoas alheias a furtarem e a venderem-nos para Espanha. Há anos que os produtores reclamam por uma lei que controle a apanha e a comercialização.

A associação micológica “A Pantorra”, com sede no concelho de Mogadouro, reclama, há “15 anos”, por uma lei. Segundo o responsável, Manuel Moredo, há muitos proprietários a queixarem-se e, por isso, defende que a GNR deveria fazer uma fiscalização como faz com as castanhas. “Os produtores põem nos seus terrenos placas a dizer que é proibida a apanha, mas as pessoas não ligam. Não tem vedação, as pessoas entram, se calhar até durante a noite, apanham aquilo que encontram a bons preços. Poderia haver uma lei que permitisse haver fiscalização nas estradas, pela GNR ou polícia, para saber o que levavam, porquê, onde o apanharam, se o compraram, se têm facturas”, defendeu.  

Rafael Dias quis fazer a diferença e depois de perceber que os cogumelos eram todos vendidos para Espanha, decidiu abrir a sua empresa em Alfândega da Fé, para que esta riqueza gastronómica ficasse no país. Apanha e compra cogumelos, trata-os e vende-os. O empresário destaca o dinheiro que a venda do fungo tem. “Alfândega é conhecida pela cereja mas creio que o cogumelo ultrapassa em termos económicos a cereja, só que não fica aqui nada de impostos, vai tudo para Espanha”, apontou.

No entanto, lamenta que nada fique na região e que o Governo não perceba o potencial económico que os cogumelos têm. “Aqui não fica dinheiro nenhum, nem imposto, vai tudo para Espanha. Saem toneladas de cogumelos daqui e não fica nada aqui. O único a quem cobram impostos é a mim”, apontou.

Nesta altura, já se estão apanhar setas de cardo, boletos, mas também as conhecidas sanchas.

Quanto à campanha deste ano, a chuva tem sido favorável ao aparecimento dos cogumelos silvestres. No entanto, embora haja muita quantidade, a qualidade não é a melhor, uma vez que apodrecem muito rápido depois de colhidos.

Escrito por Brigantia

Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Written By
admin