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Começou julgamento do homem acusado de esconder cadáver da mãe durante quase três anos em Mirandela

Começou julgamento do homem acusado de esconder cadáver da mãe durante quase três anos em Mirandela
  • 2 de Abril de 2025, 11:22

Arrancou, ontem, no tribunal judicial de Bragança, o julgamento de Nuno Albino, um homem acusado de ter ocultado o cadáver da mãe, Maria Julieta Gomes, na altura com 70 anos, em avançado estado de decomposição, no interior da casa onde ambos viviam, na cidade de Mirandela.

O caso remonta a 14 de outubro de 2022, dia em que os inspetores da PJ de Vila Real encontraram o cadáver da vítima sobre uma cama, na habitação onde ela vivia com o filho, afastada da cidade e com poucas casas em redor.

Depois de presente a tribunal para primeiro interrogatório, o filho da vítima saiu em liberdade ficando a aguardar o desenvolvimento do processo com apresentações diárias à PSP de Mirandela.

A Lusa, que teve acesso ao despacho de acusação do Ministério Público, adianta que o homem de 53 anos responde por crimes de profanação de cadáver, burla e falsidade informática e fraude na obtenção de subsídios.

Segundo a acusação, citada pela Lusa, Nuno Albino é suspeito de, ao não ter comunicado a morte da mãe às entidades competentes, se ter apropriado indevidamente de 27.951,62 mil euros das pensões de sobrevivência da falecida da Caixa Geral de Aposentações, que continuaram a ser pagas.

É ainda suspeito de ter recebido “4.012 euros em subsídios agrícolas do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, cujas candidaturas continuou a submeter, alegadamente com recurso a passwords da mãe das plataformas informáticas. Terá também movimento indevidamente 5.100 euros da conta bancária da progenitora, já depois da morte”, refere a Lusa.

Apesar de não ter sido possível apurar com exatidão a data da morte, a mãe estaria sem vida pelo menos desde 08 de fevereiro de 2020 (32 meses antes de ter sido descoberto o cadáver) diz a acusação do Ministério Público.

No início do julgamento, a Lusa revela que o réu optou por prestar declarações, onde assumiu ser verdade que não comunicou a morte da mãe, reformada, que padecia da doença de Parkinson e que estava aos seus cuidados.

Ainda segundo a Lusa, o Réu confirmou em tribunal que encontrou a mãe já sem vida, deitada na cama, e justificou que não conseguiu comunicar o falecimento por alegadamente ter entrado num trauma emocional, que o bloqueou. “Não consegui comunicar a ninguém”, disse ao coletivo de juízes, acrescentando que não conseguiu enfrentar a situação e resolvê-la até ao desenlace com as autoridades. Contou que nesse período de tempo nunca mais entrou no quarto onde estava o corpo.

Questionado na audiência pelo advogado de defesa, afirmou estar arrependido e que hoje teria agido de outra maneira.

Quanto aos apoios às atividades agrícolas, afirmou que as terras lhe tinham tocado nas partilhas de bens da família e que as candidaturas eram feitas através de uma associação e não na internet.

“Sou sócio e pagava uma quota de uma associação de agricultores. Eles faziam o preenchimento dos documentos. As propriedades foram-me atribuídas a mim”, explicou, apesar de ter confirmado que não informou a associação da morte da mãe, que continuava, contudo, a titular os subsídios.

A Lusa relata ainda que o réu revelou que esteve emigrado em França e voltou em 2017, ano em que terá começado a cuidar da mãe, com quem passou a morar. Apesar de ter uma irmã e mais família, o arguido afirmou ao tribunal que entre 2020 e 2022 ninguém perguntou pela sua mãe. Afirmou também que não conseguiu qualquer tipo de ajudas para tratar da progenitora.

De acordo com o réu, citado pela Lusa, o caso foi descoberto no decorrer de um processo de maior acompanhado que estava em curso, uma medida judicial que protege adultos que não têm condições para gerir a sua própria vida.

Os responsáveis por este processo estranharam o facto de não conseguirem chegar à fala com a mulher na sua moradia, situada num bairro nos arredores da cidade de Mirandela, e deram o alerta.

Refira-se que não foi possível determinar as circunstâncias em que aconteceu a morte da mãe do réu, dado o avançado estado de decomposição em que se encontrava o cadáver.

O julgamento prossegue com a audição das testemunhas.

Escrito por Rádio Terra Quente (CIR)

Foto: Rádio Terra Quente 

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