Professores com mestrados do IPB excluídos de concurso aberto pelo Ministério
O problema é transversal aos mestrados de Bolonha ministrados por politécnicos e também por algumas universidades do País.
Esta situação está a indignar alguns docentes que foram excluídos do último concurso extraordinário aberto pelo Ministério. Antero Freitas é um dos professores que se sente lesado e não entende a atitude do Governo.
“As pessoas investiram o seu dinheiro, tiraram os mestrados, fizeram as práticas pedagógicas e continuamos na mesma. Este impasse e esta falta de legislação faz com que nós não possamos concorrer”, lamenta o docente.
Esta situação já se arrasta há mais de cinco anos. Antero Freitas diz-se cansado de lutar para que a situação seja resolvida.
“Estou a tentar criar todo o tipo de mecanismos para conseguir que a situação se resolva, porque para além do concurso de vinculação extraordinário vai haver um outro concurso externo, que só ocorre a cada quatro anos, e isto é gravoso, porque inclusive já no último concurso que houve há quatro anos a situação já deveria estar resolvida e não estava, e para o grupo de espanhol houve professores a entrar apenas com o exame DELE – Diplomas de Espanhol como Língua Estrangeira, quando havia pessoas com este tipo de mestrados que ficaram impossibilitados de concorrer”, denuncia Antero Freitas.
Pressões políticas
não surtiram efeito
O problema é reconhecido pelo presidente do IPB. Sobrinho Teixeira garante que tem pressionado o Governo para resolver a situação, mas até agora sem efeito.
“Do ponto de vista da pressão política sinceramente penso que não era possível fazer mais. Desde reuniões com dois ministros, com a própria Assembleia da República. Procurámos fazer tudo para que aquilo que nos parece que é a implementação correcta da legislação assim acontecesse, mas a resposta que tivemos foi sempre que estaria a ser avaliado o sistema como um todo e só nessa altura é que este problema seria equacionado. E é uma situação de injustiça face àquilo que foram os compromissos de então do próprio Ministério para com as instituições de ensino superior”, atesta Sobrinho Teixeira.
Entretanto, o Sindicato dos Professores da Zona Norte (SPZN) também já alertou o Ministério da Educação para a necessidade de resolver este problema com urgência. Manuel Pereira, dirigente do SPZN em Bragança, diz que o Ministério ficou de encontrar uma solução para o problema até à abertura dos próximos concursos, prevista para o final do mês.