Região

Decidir no escuro

  • 27 de Novembro de 2012, 14:40

Desconhece que qualquer cidadão que queira ir a Lisboa em transporte público terá que reservar dois dias para esta aventura, se quiser ter tempo para participar numa simples reunião.
Vejamos. Uma viagem de autocarro Bragança-Lisboa demora 6:30 ou 7:30 horas, consoante o percurso se faça por Viseu ou Porto, respectivamente. A solução é sair no dia anterior e reservar estadia em hotel para começar bem cedo o trabalho na capital. Ora, nesta opção a factura começa a pesar e, com refeições à mistura, é muito fácil ultrapassar os 123,00€ que custa (custava) uma viagem de ida e volta de avião. Mas imagine que no regresso decidiu procurar uma alternativa à rodovia, que até prefere apanhar um comboio até ao Porto e, ali, embarcar num autocarro até Bragança. É possível, mas prepare-se para passar 3 horas dentro de um Alfa Pendular ou 3:35 horas num comboio Intercidades, juntando-lhe outro tanto no autocarro Porto-Bragança. E cá temos as tais 6 ou 7 horas.
Além do tempo perdido em viagens, o factor custo não consegue competir com o avião. As contas são fáceis de fazer. Autocarro Bragança-Lisboa: 21,00€ + estadia em hotel 52,00€ + comboio Intercidades Lisboa-Porto: 24,00 € (30,00€ no LF…)+ autocarro Porto-Bragança: 13,70€ = 110,70€. Isto sem contar com táxi, metro ou autocarro em Lisboa, mais refeições…
No caso do avião, além da comodidade e rapidez da viagem, para vencer a distância entre o Aeroporto da Portela e o centro da cidade basta desembolsar 3,75 para apanhar o aerobus. E este preço é válido para ida e volta!
Esgotemos a opção do carro particular, aquela que, certamente, a maioria dos transmontanos vão passar a utilizar nas suas idas a Lisboa, porque nenhum empresário está para passar 14 horas em dois dias dentro de um autocarro!
Encha-se o depósito com 70,00 € de gasóleo e juntem-se mais 40,00€ ou 50,00€ de portagens para termos o valor certo do bilhete de avião. Isto sem falar do desgaste do carro, do cansaço e do tempo, que só é inferior a 5 horas se ignorarmos os limites de velocidade…
As contas são fáceis de fazer. Só o desprezo pela região pode levar o Governo a extinguir a carreira aérea que aproximava Trás-os-Montes de Lisboa. Às vezes até custa a acreditar que o primeiro-ministro tem fortes raízes em Vila Real…

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