Região

Milhares de pessoas na Festa da Cabra e do Canhoto

Milhares de pessoas na Festa da Cabra e do Canhoto
  • 9 de Novembro de 2012, 09:19

A tradição cumpriu-se mais uma vez em Cidões, no concelho de Vinhais. Este ano, com um figurino diferente, mas sem esquecer as raízes desta festa.
A noite começou com a degustação da cabra cozinhada no pote, um manjar muito apreciado, que é acompanhado pelo vinho da terra.
Este ano, a festa ganhou dimensão e a encenação remeteu para as suas raízes, que são de origem Celta. O cenário primou pela originalidade e reuniu no mesmo espaço deusas, princesa, bruxas e, até, o diabo.
Depois do jantar era hora de afastar os demónios e nada melhor que experimentar a tradicional queimada. A bebida oficial desta festa é preparada num caldeiro em chamas, acompanhada pelos dizeres que afastam demónios e maus-olhados.
“É aguardente doce e tem o poder de nos livrar do mal durante todo o ano”, reitera Ana Vieira, uma participante.
Para quem é da terra, a tradição é para preservar. “Isto começou há muitos anos com um grupo de amigos que começaram a matar uma cabra para comer neste dia e hoje é este grande evento. Gosto muito desta festa e é impossível que ela acabe. Cada vez vai ser melhor”, enfatiza Augusto Rodrigues.
Este habitante de Cidões recorda a tradição do carro de bois puxado por rapazes, que traz o diabo em cima e faz diabruras junto á fogueira, depois de ser transportado desde o alto até ao canhoto em chamas.“Isto é à meia-noite”, realça Augusto Rodrigues.

Turistas rendidos
à tradição

Já quem vem de fora não resiste aos encantos de Cidões. Pedro Rodrigues veio de Portimão, no Algarve, e promete voltar à região. “É uma nova experiência. Vim com a minha mulher e com os meus filhos, porque estávamos a passar férias na região. A cabra, todo este ritual do acendimento do canhoto e o convívio com as pessoas é muito bom”, garante o turista.
A organização promete continuar a apostar nesta tradição. Hortência Pinto, presidente da Associação Raízes de Cidões, garante que a festa superou as expectativas. “Teve uma afluência que nós não contávamos. Isto também se deveu ao apoio da Câmara Municipal de Vinhais e ao Instituto Politécnico de Bragança. Acho que temos que evoluir, criar condições para receber as pessoas e temos que andar para a frente, parar nunca”, garante a responsável.
A noite terminou com a queima do bode e com as travessuras do diabo à volta do canhoto em chamas. O carro de bois puxado por rapazes com o diabo em cima desceu a ladeira até à fogueira, onde espalhou o medo junto das pessoas que se aqueciam ao canhoto na noite fria de 31 de Outubro. Durante a madrugada o demónio lançou a desordem pela aldeia.

Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Written By
admin