Freguesias perdem rendas dos parques eólicos
A Scottish Southern Energy Renewables, empresa escocesa promotora do investimento, alega que os resultados das medições do vento não corresponderam às expectativas iniciais.
Por isso, a empresa tem vindo a rescindir contratos com algumas das Juntas de Freguesia do concelho de Bragança. Algumas delas estavam a receber rendas de três mil euros/mês pelos terrenos onde iriam ser instaladas os aerogeradores.
Foi o caso de Rabal, uma das cinco freguesias afectadas pelos cortes da promotora. “Fomos surpreendidos com uma carta a denunciar o contrato”, revela o presidente da junta de freguesia. “A empresa alega que o pode fazer a qualquer momento no caso do resultado das medidas de vento mostrarem a inviabilidade económica do parque”, refere Paulo Hermenegildo.
Ao que o Jornal Nordeste apurou, também as freguesias de Babe, Deilão, S. Julião de Palácios e Rio de Onor foram notificadas da rescisão do contrato.
O autarca de Babe foi, igualmente, apanhado de surpresa e lamenta a decisão, pois considera que o dinheiro das rendas era muito útil às freguesias. “Ficámos surpreendidos, embora saibamos das dificuldades que há na implementação dos parques eólicos”, afirma Alberto Pais. “Para as juntas de freguesia e concelhos de baldios é mais um aspecto negativo, porque era uma receita bem-vinda”, recorda o responsável.
Potencial existe
O presidente da Câmara de Bragança, contudo, desconfia do argumento apresentado pela empresa. “O potencial existe em termos do número de horas anuais de vento suficientes para garantir viabilidade económica a um parque. Seguramente que é muito maior do que em muitas outras zonas onde são parque desenvolvidos”, garante Jorge Nunes. Apesar do recuo da empresa em algumas freguesias, o autarca acredita que o projecto vai acabar por concretizar-se. “É uma questão de tempo. Este parque há-de desenvolver-se por necessidades de acesso à energia e também pelo facto de o potencial existir e que não vai desaparecer”, sustenta.
No entanto, mesmo que o Ministério da Economia abra concurso nos próximos tempos, fica por resolver o problema de ligação à rede, de modo a injectar a energia que será produzida no Parque Natural de Montesinho (PNM). Recorde-se que o ponto mais próximo é a linha Macedo de Cavaleiros-Valpaços, sendo certo que o responsável de gestão de projectos da Rede Eléctrica Nacional, Albino Marques, garantiu que a empresa não deixará de responder a solicitações futuras, caso o parque eólico em Montesinho se concretize.