Duas Igrejas recria segada
A aldeia de Duas Igrejas, em Miranda do Douro, recriou as tradições da segada. Esta foi uma iniciativa da Associação Aldeia, que reavivou memórias e juntou dezenas de pessoas, desde o trabalho no campo até à confecção do pão à moda antiga.
A segada tradicional é um exemplo do comunitarismo que ainda se vive no mundo rural.
Ainda o dia não tinha despertado e já homens e mulheres seguiam para o campo onde os esperava um dia de trabalho árduo debaixo de um sol abrasador. As cantigas não faltaram e a merenda também não. Este era o cenário das segadas e que no sábado passado foi recriado em Duas Igrejas.
Ana Gouveia, técnica da Associação Aldeia conta que esta “é uma tradição que se está a perder”. Por isso, associação e população local uniram-se para “mostrarem a quem vem de fora como se fazia a segada antigamente”.
Eduardo Pires diz que toda a sua vida trabalhou no campo. Nas segadas começou logo em criança e eram “15 dias de sol a sol a pão e água”. Esta era uma tarefa difícil, mas “na altura aguentava-se tudo”. O agricultor confessa que apesar de todas as dificuldades havia mais alegria. “Saía-se de casa a cantar, passávamos o dia a cantar e entrávamos de novo com o mesmo espírito”, revela com nostalgia Eduardo Pires.
Adelaide Lopes não segava manualmente há 35 anos, mas não se esqueceu de como se faz. Explicou que antes se fazia tudo à mão, “semeava-se o trigo à mão, com as vacas e com o arado, e depois chegava-se a esta altura e ia-se para o campo segar”. Contou ainda que nessas alturas “dormia-se, por vezes, semanas nas terras”.
A iniciativa destinou-se, ainda, aos que não conhecem a tradição da segada. Lourenço Rosa quis participar na segada porque quer “saber um pouco mais das tradições”. O jovem salienta que “é uma oportunidade para aprender, conhecer a região e conviver com as gentes da aldeia”.
A Segada Tradicional começou com o “mata-bicho”, seguiu-se a segada e o dia terminou ao final da tarde com o amassar do pão.