Obras abrandam na barragem do Tua
“A moção aprovada em S. Petersburgo não foi tão radical como se esperava ou como era anunciado. Agora estamos à espera de uma nova missão da UNESCO que venha avaliar no terreno”, afirma o governante.
José Viegas garantiu, ainda, em Bragança, que o Governo tem agido com transparência neste processo.
Para José Viegas é possível conciliar a classificação do Alto Douro Vinhateiro como património Mundial com a construção do empreendimento hidroeléctrico.
“Tomámos decisões e chumbámos algumas linhas de alta tensão e vamos continuar a fazê-lo dentro das nossas competências. Acredito que é possível continuar a manter a classificação e é dessa condição que não abdico”, acrescenta José Viegas.
O Comité do Património Mundial da UNESCO pediu, na passada quarta-feira, ao Estado português para “abrandar significativamente” a construção da barragem de Foz Tua até à realização de um estudo sobre os impactos da hidroeléctrica no Alto Douro Vinhateiro.
A nova missão da UNESCO vai deslocar-se ao Douro em finais de Julho e será composta por especialistas internacionais indicados pelo Centro do Património Mundial da UNESCO.
O relatório final deverá ser apresentado, segundo o embaixador português na UNESCO, Francisco Seixas da Costa, ainda este ano.
Aos especialistas será apresentado o projecto do arquitecto Souto Moura, que tem em vista a compatibilização da central hidroeléctrica com a paisagem.
O Douro foi distinguido como Património Mundial da Humanidade em 2001.
A barragem, cujas obras arrancaram há 15 meses, vai ocupar 2,9 hectares do Alto Douro Vinhateiro, o que representa 0,001 por cento do total da área classificada.