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Taxistas em protesto

Taxistas em protesto
  • 3 de Julho de 2012, 14:03

Uma portaria do Ministério da Saúde, recentemente publicada, determina que este serviço deixe de ser feito, apenas, por táxis e ambulâncias. Em breve, este tipo de transporte passará também a ser feito por veículos até nove lugares, bastando para isso ter duas placas identificadoras e o motorista possuir um curso de suporte básico de vida, homologado pelo INEM.
“Para este transporte somos obrigados a ter um novo alvará e nós não estamos de acordo, porque temos de pagar 250 euros”, refere o delegado distrital da ANTRAL – Associação Nacional dos Transportadores em Automóveis Ligeiros, Marcelino Ferreira.
O responsável diz que os taxistas vão ficar prejudicados. “Vamos perder muitos clientes, porque o ministério vai reduzir os preços da hora de espera e do quilómetro e sabem que os taxistas vão recusar esta diminuição. Então vão criar empresas à parte para concorreram connosco”, alerta Marcelino Ferreira.
No distrito de Bragança, cerca de uma centena de taxistas fazem transporte de doentes não urgentes, sendo que esta situação pode pôr em causa a sua sobrevivência. É o caso de Arnaldo Pires, taxista em Argoselo, no concelho de Vimioso, que prevê um futuro negro para a sua empresa familiar. “Se isto for avante os meus filhos vão para o desemprego”, teme empresário.
Taxista há 40 anos lembra que o sustento de toda a família depende dos três taxis.

Taxistas preocupados com o futuro do negócio protestam nas ruas de Bragança

António Belchior, taxista em Mirandela, considera que os profissionais do volante não têm forma de poder concorrer com as empresas que dispõem de carrinhas de nove lugares. “Um táxi transporta, apenas, quatro pessoas. A lei permite a entrada de carrinhas de nove lugares, que vão apresentar propostas a preços mais reduzidos. É-nos tirada a exclusividade e assim não podemos competir.
Sentimo-nos de mãos atadas”, afirma o empresário.
Segundo este taxista, no distrito de Bragança, “andam diariamente, em média, entre 90 a 100 profissionais a transportar doentes hemodialisados.
“Se esta lei por diante, imagine quanta gente vai para o desemprego”, enfatiza o taxista.
O delegado da ANTRAL contou “entre 30 a 40 táxis” no protesto, que começou com uma concentração junto à Câmara de Bragança e seguiu em marcha lenta, com um buzinão, pelas ruas da cidade.

Sandra Bento

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