Produtores descontentes com o preço da carne mirandesa
As queixas foram ouvidas, anteontem, em Miranda do Douro, durante o concurso concelhio de bovinos de raça Mirandesa, onde marcaram presença 55 animais do concelho. “Estão a pagar-nos muito pouco pela carne e assim nós vamos arrumar isto, porque assim não dá. Pagam mais pelas outras raças”, refere Maria Alice Preto, de Paradela.
Felizbelo Torado, de Vale d’Águia, até já vendeu as vacas. “Davam-me mais prejuízo do que lucro. Estou aqui com as vacas do meu irmão e ele tem-nas por gosto”, garante o agricultor.
A mesma opinião é partilhada por Inês Teixeira, de Malhadas, que diz que “não vale a pena investir na agricultura. “Eu agora tenho 34 animais, mas já tive 47, porque as rações estão muito caras e a carne vende-se mal”, afirma a produtora.
Actualmente, o efectivo da raça Mirandesa ronda os 5300 animais, um número que é suficiente para manter a raça, que está ameaçada de extinção. “Há que dar passos para que o efectivo cresça”, refere o secretário técnico da Associação de Criadores de Bovinos de Raça Mirandesa, Afonso Pimentel.
75 por cento dos animais de raça mirandesa estão em explorações de maiores dimensões, que começam a surgir na região
O veterinário aponta alguns dos desafios a seguir para que a ameaça de extinção deixe de assombrar esta raça. “Está-se a incidir no melhoramento de alguns aspectos que são importantes, como é o caso da velocidade de crescimento”, refere Afonso Pimentel. Além disso, “está a tentar-se que não se perca a qualidade da carne, que é o ponto forte da raça. Se assim for, a raça tem condições intrínsecas para que mais criadores venham a aderir à criação e aumentar o efectivo, a médio prazo”, garante o secretário técnico.
Por outro lado, a aposta na raça por parte de jovens agricultores poderia ser outra solução. “Hoje em dia temos mais de metade da raça, cerca de 75 por cento, na mão de grandes explorações, detidas por pessoas relativamente jovens. Estamos a assistir a uma substituição dos mais novos pelos mais velhos, que continuarão a crescer e a contribuir para o aumento do efectivo”, salienta Afonso Pimentel.