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Uma década de ouro no Sport Club Mirandela

  • 16 de Maio de 2012, 08:24

“Há ciclos em que um grupo de pessoas é importante e fundamental, e há alturas para sair, e é muito importante saber sair, para que novas ideias desenvolvam o clube, aproveitando o que está bom, o equilíbrio financeiro e o clima é de paz e união”, sustenta Virgílio Gomes.

Nordeste Desporto (ND) – Quem lutou em momentos difíceis, com o clube endividado e desacreditado no comércio e nas competições, não sente pena em deixá-lo numa altura em que tudo está bem?
Virgílio Gomes (VG) – O clube não é de ninguém e é de todos. É preciso que todos os mirandelenses passem pelo clube, e para que isso aconteça, é preciso que os que estão saibam sair. Ninguém é melhor que ninguém, pode é ter as ideias certas para o momento, gostar do clube e estar disponível para trabalhar, saber procurar os apoios e rodear-se das pessoas certas. O clube já teve grandes presidentes, e no futuro vai continuar a ter com toda a certeza.

ND – Mas tem consciência da mais-valia destes seus 12 anos de presidência?
VG – Obviamente que sim, como tenho consciência que foi preciso blindar o balneário algumas vezes e fechar mesmo o clube para o preservar e conseguir os objectivos que traçamos. Assim foi no princípio, mas nas Assembleias o clube era escancarado aos associados, as contas eram transparentes e não havia silêncios nas questões que eles colocavam. Hoje sou capaz de admitir que talvez o tenha fechado demais em certas alturas, mas se não houvesse esses cuidados, talvez o balanço não fosse o mesmo.

ND – Não dá para fazer mais 3 anos, nem mesmo com o apelo do presidente da Câmara de Mirandela para que ponderasse a sua continuidade?
VG – O Sport Club que encontrei podia possibilitar, mas o que deixo não admite um presidente em part-time, exige um presidente 100% presente… e a minha vida actual não me permite continuar a ser o presidente que tenho sido. São motivos pessoais do foro familiar e profissionais que neste momento não posso contornar.

ND – Portanto, bate com a porta aos próximos 3 anos. E no futuro?
VG – Não bato com a porta, e muito menos abandono o clube. Termino o período para que fui eleito e só me não recandidato… Deixo o clube equilibrado financeiramente, competitivamente em alta e com 90% do plantel sénior garantido, caso a próxima direção queira aproveitar o esqueleto da equipa. Deixo um clube respeitado a todos os níveis, pelos fornecedores, pelos adversários, pelos funcionários e atletas e, especialmente, pelos associados, com estruturas e capacidade para dar continuidade. Quanto ao futuro… esse a Deus pertence, mas se o clube precisar e as minhas disponibilidades forem outras, não descarto um possível regresso. Não estou cansado, não estou saturado, não continuo devido à minha vida privada, que tem de estar acima de qualquer colectividade. Estou preocupado com a conjuntura económica, e como qualquer empresário tenho de me dedicar a 100% à minha vida profissional e familiar.

ND – Tem preferência por alguém para lhe suceder?
VG – No meu núcleo duro, qualquer um dos meus vice-presidentes seriam do meu agrado, a par do tesoureiro. São associados e mirandelenses dedicados, competentes, honestos e com grande experiência e provas dadas de trabalho no clube para serem o próximo grande presidente do Sport Club.

ND – Mas não tem uma preferência entre as preferências?
VG – Se pen­sar naquela que iria ser a minha grande aposta, caso continuasse, seria a formação. Victor Noronha é a pessoa que tem mais experiência e dedicação à formação, fez um trabalho espectacular e sem grandes condições, e a sua experiência dá garantias de grande sucesso na fábrica de jogadores. Mas qualquer um dos outros tem qualidades para garantir o sucesso do Sport Club. E há um elemento, muito importante e válido, um “tubarão do futebol” que se lhe dedicou de tal forma, e sabe tanto, que é demasiado importante para o clube passar sem ele que é o Waldemar, criticado por uma parte dos associados, mas muito injustamente…

ND – Em 12 anos, com toda a certeza, grandes alegrias mas também algumas tristezas! Quer fazer o balanço?
VG – É verdade, alegrias em todas as vitórias, e tristezas nas derrotas, mas o futebol praticado pelo Sport Club Mirandela é, por si só, uma grande alegria como o foram todos os “miúdos” que saíram homens e grandes jogadores da formação do Sport Club Mirandela. Agora o balanço deixo para vocês, Comunicação Social, e para os associados.

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