Brigantia Eco Park
Tudo depende da capacidade das entidades promotoras em envolver os empresários mais capazes, aqueles que, em tempos difíceis, continuam a acrescentar valor aos seus negócios, a diversificar a actividade, a internacionalizar e a multiplicar os postos de trabalho.
Desenganem-se os que pensam que o Brigantia Eco Park vai ser erguido à custa de duas ou três multinacionais, que tanto estão hoje em Portugal, como amanhã desmontam linhas de produção e transferem tudo para países emergentes. Desiludam-se os que pensam que as grandes empresas de base tecnológica vão esvaziar centros de investigação do Norte da Europa para se instalarem em Bragança, disseminando a sua capacidade de actuação.
Nada disso. O Parque de Ciência e Tecnologia vai ser feito na região e, como tal, tem de virar-se para a região, à semelhança do Parque Tecnológico de Boecillo, em Valladolid (Espanha).
Multinacionais como a Faurecia poderão ter um papel decisivo na dinamização do Brigantia Eco Park, mas por si só não serão garantia de sucesso.
Por isso, quando ouvimos o presidente da Câmara de Bragança destacar o papel da Faurecia na criação de emprego no concelho e o seu papel nas exportações, o nosso consolo é saber que há muitas e variadas empresas locais que também exportam, que pagam impostos no município e que desde sempre criaram emprego na região, sem nunca terem auferido das benesses concedidas pelo Estado Português e pelo Município de Bragança a esta multinacional.
A Faurecia não faz milagres. Não será esta empresa a tábua de salvação do Brigantia Eco Park, pelo que é preciso arrepiar caminho e começar a envolver o tecido empresarial local e regional neste projecto.