Câmara acaba com taxa única na água nas aldeias
A tarifa fixa de cinco euros para as aldeias desaparece. A partir de agora, a população vai pagar pelo que consome, ainda que com um desconto de 50 por cento no meio rural.
A novidade foi explicada na última Assembleia Municipal pelo presidente da Câmara. “Em vez de cinco euros, fixámos dois e a pessoa que consome paga pelo tarifário corrente, com a dedução de 50 por cento no custo. Assim, resolveram-se os problemas das pessoas que têm uma segunda casa na aldeia e, estando fora, se queixavam de pagar pelo que não consumiam”, explicou Jorge Nunes.
Para além do desconto de 50 por cento na factura da água nas aldeias, Jorge Nunes avançou que foi criada uma tarifa ainda mais baixa, sem a componente fixa do tratamento de esgotos e recolha de lixo, para uso agrícola. “Vamos disponibilizar a água a um preço mais baixo, para que os agricultores, em período de escassez, disponham de água da rede, tratada, a preços acessíveis, para que a pecuária não pare”, revelou o edil.
Na cidade, as tarifas vão manter-se inalteráveis, mas não para todos. A autarquia promete maior atenção com os mais carenciados.
“Decidimos também uma redução de 50 por cento para as famílias carenciadas, com rendimento per capita inferior a 195 euros, e mantivemos uma diferenciação positiva para as famílias numerosas, permitindo que paguem o primeiro escalão, o mais baixo, até 18 metros cúbicos, que corresponde quase ao terceiro. Também se clarificou o tarifário para quem disponha de captação própria e usufruía da recolha de lixos sem pagar nada”, adiantou ainda.
Novidades apresentadas na última Assembleia Municipal, na sexta-feira, uma das mais rápidas de sempre, apenas com este ponto agendado para discussão.
A iniciativa tinha sido do CDS/PP, que ficou satisfeito com as alterações. “Pelo menos houve uma preocupação, em reunião de Câmara de 23 de Janeiro, de ajustar e moderar o tarifário dos consumidores do concelho de Bragança”, disse Guedes de Almeida, o deputado do CDS que esteve presente. No entanto, Guedes de Almeida considera ainda que tem de haver uma clarificação jurídica sobre as taxas de disponibilidade, que o também advogado considera, pelo menos, injustas.
Mas pede, ainda, um novo agendamento, mas por parte da própria Assembleia Municipal, de uma outra discussão sobre o abastecimento de água ao concelho que, tendo em conta a seca que atinge todo o país, está a colocar em risco o abastecimento das populações.