Mais uma frente de obra parada no Tua
Adão Silva diz que não está em causa a importância da obra mas deve haver preocupações com a segurança.
“Fizemos questões ao Governo com o propósito de incentivá-lo a acompanhar esta obra, pondo lá os meios e fazendo acções de fiscalização e prevenção para que estes acidentes não aconteçam. E alertar as empresas que seremos implacáveis em relação às exigências de qualidade das condições de trabalho”, explicou.
Adão Silva quer marcação cerrada a esta obra por parte do Governo, sobretudo através de uma maior presença da Autoridade para as Condições do Trabalho, que mandou parar também a frente de obra que na quinta-feira fez mais cinco feridos, um deles grave. Têm idades entre os 25 e os 40 anos, e residem nas zonas do Marco de Canaveses, Esposende e Braga (este último é um imigrante moldavo).
Os trabalhadores foram atingidos por fragmentos de pedra após uma explosão controlada na margem direita, no concelho de Alijó, durante a montagem de cofragem para a construção do desvio à EN212, que liga Foz Tua a Alijó. A EDP explicou, em comunicado, que “na sequência de um desmonte de rocha verificou-se a projecção de fragmentos que atingiram os trabalhadores que se encontravam a montar cofragens na boca de saída do túnel de derivação provisória do rio”, na margem esquerda (Carrazeda de Ansiães). O comandante dos Bombeiros Voluntários de Alijó tinha, no entanto, outro entendimento. “Pelas informações que tenho da empresa o rebentamento foi na margem direita longe do local de trabalho e, pela minha experiência, se as pedras tivessem sido deslocadas àquela distância, os danos teriam sido muito maiores para os trabalhadores” afirmou José Rebelo aos jornalistas.
Os cinco trabalhadores “estavam todos conscientes. Tinham escoriações nos braços e no tronco, nas pernas não. Para a pessoa que apresentava maiores cuidados [politraumatizado no peito] pedimos ajuda diferenciada e queixava-se da parte das costelas” referiu.
GEOTA queixa-se a Bruxelas
e considera que a barragem
de Foz Tua deve “cessar
imediatamente”
Estiveram envolvidos nas operações de socorro 14 bombeiros voluntários de Alijó, Favaios e Carrazeda de Ansiães, apoiados por quatro viaturas e uma VMER.
Este foi o segundo acidente de trabalho, no espaço de duas semanas, nas obras da barragem do Tua. No primeiro, no dia 26 de Janeiro, morreram três operários na sequência de uma derrocada de pedras, que levou à suspensão dos trabalhos naquela zona por tempo indeterminado. Já em Agosto, a queda de uma plataforma de uma grua fez três feridos graves.
O Bloco de Esquerda questionou já o Ministério da Economia e Emprego sobre a falta de segurança nas obras da EDP na barragem do Tua e pede esclarecimentos sobre mais um acidente.
Entretanto, o grupo ambientalista GEOTA enviou também para a Comissão Europeia uma queixa sobre a barragem de Foz Tua, considerando-a uma das “mais danosas” e defendendo que a sua construção deve “cessar imediatamente”.