Obras na barragem do Tua param devido a acidente mortal
Este foi o segundo acidente nas obras da barragem de Foz Tua, depois de, em Agosto, a queda da plataforma de uma grua ter feito três feridos graves.
A Autoridade para as Condições do Trabalho esteve dois dias no local, para inspeccionar a zona deste acidente mortal e a documentação relativa aos planos de segurança.
Fonte da delegação de Bragança adiantou ao Jornal Nordeste que, para já, ainda é prematuro apontar uma causa para o acidente bem como uma eventual sanção ao consórcio construtor.
Fonte da EDP explicou que, tendo em conta o prazo do inquérito ao acidente anterior, em Agosto, que fez três feridos graves, espera-se que as obras continuem suspensas naquela frente pelo menos duas semanas.
O presidente da câmara de Alijó, um dos concelhos que será abrangido pela albufeira, revelou que ainda na terça-feira tinha feito uma vistoria surpresa às obras. “Fiquei agradavelmente surpreendido. Nunca tinha visto tanto rigor numa obra”, admite Artur Cascarejo, apesar de também dizer que, estando em jogo vidas humanas, também se deveria pensar se há necessidade de actualizar regulamentos de segurança, que terão sido integralmente cumpridos. “Nada paga uma vida humana. Têm de se reforçar as medidas de segurança”, sublinhou.
“Como é que fazemos se
precisarmos de ir a Mirandela
ao médico ou às compras?”
Já os habitantes de S. Mamede de Ribatua, a aldeia mais próxima da barragem, ainda não se conformaram, por um lado, com a perda da linha. “Como é que fazemos se precisarmos de ir a Mirandela ao médico ou às compras”, dizia a senhora Otelinda Sousa, enquanto olhava para o aparato do socorro aos trabalhadores, na quinta-feira. Mas também há alguns que temem novos acidentes. “Já se sabe que as barragens são as obras mais perigosas”, dizia um habitante, que recusa dar a cara. Já outra senhora, logo ao lado, que também esconde o nome, diz que foi “uma desgraça”. “Vamos ver se fica por aqui”, comentou ainda, em surdina.
Carlos Silva, o comandante da Protecção Civil de Vila Real, sublinhou que, aparentemente, o plano de segurança foi todo cumprido, mas que deverá ser feita uma “reavaliação” das medidas de segurança, dada a “dificuldade” do terreno naquela zona, com muitas escarpas instáveis.
Apesar de os inquéritos ainda não estarem concluídos, a EDP aponta para “causas naturais”. Mas a Quercus já pediu para ser aberto um processo pelo Ministério Público.