Grávidas não escapam à violência
Os dados foram revelados na passada sexta-feira, durante um seminário que serviu para comemorar o Dia Internacional da Luta Contra a Violência Doméstica. No entanto, este é o resultado de um projecto iniciado em 2010 pelo ACES Nordeste, que pretendia detectar possíveis casos de violência doméstica durante a gravidez.
Através da aplicação de um questionário, feita pelos médicos de família nos centros de saúde, foram encontrados dois casos. “Foram sinalizadas como vítimas de violência doméstica 5,6% das 472 grávidas rastreadas. São duas vítimas, o que para mim já é um número preocupante, por isso, temos de pensar de que forma podemos continuar a intervir”, refere o psicólogo do projecto.
António Salema traça ainda o perfil das vítimas. “Temos situações associadas ao álcool e a questões de violência sexual no casal, bem como gravidezes que não são planeadas”, revela.
Na sexta-feira foi também lançado um manual de procedimentos para o atendimento à vítima de violência doméstica. Teresa Fernandes, do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica, explica que “tem diversas informações desde a sinalização, até à apresentação da queixa, à constituição de um processo-crime e todos os outros processos legais associados de divórcio e regulação do poder paternal”. Este manual “vai servir as pessoas e os técnicos que servem de elo de ligação entre os sistemas social e judicial e as vítimas”.
Estas foram algumas das actividades que marcaram o Dia do Laço Branco, sob organização da Associação de Socorros Mútuos dos Artistas de Bragança e o ACES Nordeste, que também contou com uma marcha simbólica, onde foi distribuído diverso material de divulgação.
Sandra Bento