Sindicato dos Enfermeiros denuncia dívida de milhares
A dirigente sindical, Guadalupe Simões, garantiu à Lusa que o SEP vai fazer “uma exposição a pedir a intervenção do ministro da Saúde e da bastonária da Ordem dos Enfermeiros, devido ao quadro caótico que se vive no centro hospitalar, sobretudo na Unidade Hospitalar de Bragança”.
Segundo a responsável, estão em causa duas situações diferentes, uma delas tem a ver com o Serviço de Urgência, onde estão em dívida cerca de três mil horas aos enfermeiros em trabalho extraordinário, e noutras circunstâncias há trabalho extraordinário que está a ser feito e que não está a ser considerado como tal”.
Para a dirigente sindical, “o que deveria acontecer era admitirem enfermeiros para os postos de trabalho onde há falta, mas o que está a ser feito são medidas economicistas no sentido de não ser pago trabalho extraordinário, não serem admitidos mais enfermeiros, antes pelo contrário estão a despedi-los”.
Guadalupe Simões referia-se aos 39 enfermeiros cujos contratos terminam até ao final do ano e que não estão a ser renovados, o que já motivou uma manifestação destes profissionais.
A sindicalista acusa a administração de “chegar ao cúmulo de chamar enfermeiros que estão a gozar férias antes do fim do contrato para fazerem transferências de doentes” e de “ter serviços a funcionar com apenas um enfermeiro”.
“É um quadro caótico porque, como é do conhecimento público, o conselho de administração desse centro hospitalar foi daqueles que mais gastou em coisas que nós consideramos desperdícios, nomeadamente em telemóveis e na frota automóvel, mas descurou completamente aquilo que são as necessidades do próprio hospital, das pessoas e consequentemente também dos seus profissionais, nomeadamente os enfermeiros”, referiu.
O sindicato entende que a situação “está a afectar os utentes” e que “os enfermeiros não podem ser responsabilizados por situações que possam vir a ocorrer no decurso da sua actividade”.
Conselho de Administração esbanjou na frota automóvel, mas
descurou as necessidades do hospital, garante o sindicato
Contactada pela Lusa, a administração do CHNE escusou fazer comentários por entender que se trata de “mais um meio de pressão sindical para a admissão dos enfermeiros contratados”.
Remeteu, no entanto, explicações técnicas para o director do Departamento de Recursos Humanos, José Teixeira, que garantiu que o CHNE “nada deve de trabalho extraordinário”.
Segundo o responsável, as três mil horas em causa são “horas em bolsa que resultam da passagem de turnos ou de formação em serviço”.
Estas horas são compensadas com o gozo de folgas e dão, em média, menos de uma folga a cada um dos mais de 400 enfermeiros do CHNE, alega a administração.