Região

D. José Cordeiro proferiu homilia em Mirandês

D. José Cordeiro proferiu homilia em Mirandês
  • 11 de Outubro de 2011, 09:06

“Deixai que bos fale na buossa lhéngua mirandesa; perdonai-me se nun la sei falar tan bien cumo bós”, foram as primeiras palavras em mirandês proferidas por D. José Cordeiro, durante a parte final da homília que decorreu na Sé de Miranda, aquela que foi o berço da diocese nordestina.
D. José Cordeiro manifestou profunda satisfação por estar em Miranda do Douro, que considerou uma cidade fonte da “identidade eclesial e cultural” da diocese, visto que foi ali que nasceu, em 22 de Maio de 1545. “Foi um grande desafio falar a língua mirandesa no discurso da homília, mas entendo que o evangelho deve ser inculturado. Não foi por um gesto de simpatia, mas sim porque o mirandês é a segunda língua oficial em Portugal”, justificou o prelado.
O novo bispo diocesano disse, ainda, que não há lugar para divisões no seio da diocese, como aquelas que aconteceram em Setembro de 1996, com a introdução da actual designação da diocese Bragança-Miranda.

Mirandeses não esquecem
o mês de Setembro de 1996,
altura em que foi mudado
o nome da diocese

“Na diocese há lugar para a comunhão e para a unidade. Miranda do Douro não é apenas uma referência histórica, é parte integrante da diocese”, afirmou D. José Cordeiro.
A insatisfação dos mirandeses resulta da actual designação de diocese de Bragança-Miranda (com a supressão do “e”), datada de Setembro 1996, já que até então se chamava de Bragança e Miranda.
A supressão do “e” não agradou ao povo mirandês, tendo-se verificado várias manifestações de desagrado. Os mirandeses afirmaram sempre que o berço da diocese era a cidade de Miranda do Douro.
No meio da calorosa recepção ao novo bispo e no decurso do cortejo que engalanou as ruas da cidade que conduziram o cabido, convidados e população até à Concatedral, ainda era possível ouvir quem não concordasse com a mudança do nome da diocese. No entanto, para grande parte dos mirandeses esta é uma questão que já está “ultrapassada”.
“Temos de falar em união e não em divisão, já que os tempos actuais não são favoráveis à desunião”, afirmou o presidente da Câmara de Miranda do Douro, Artur Nunes.

Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Written By
admin