Autarquias perdem mais de metade das chefias
A capital de distrito conta, actualmente, com três directores de departamento e oito chefes de divisão, num total de 11 cargos dirigentes.
As linhas gerais desta medida para cortar na despesa do Estado foram aprovadas, na semana passada, pelo Conselho de Ministros.
Para o presidente da Câmara de Bragança esta reestruturação é necessária para equilibrar as contas do País. No entanto, Jorge Nunes considera que os cortes devem ser alargados a outros ramos da administração pública, nomeadamente a institutos, que são autênticas “inutilidades”.
O edil brigantino considera que a diminuição dos cargos dirigentes baseada, apenas, no número de habitantes coloca Bragança numa situação complicada. Para o autarca devem ser considerados outros critérios, como por exemplo a área territorial para administrar.
Jorge Nunes defende que devem ser usados outros critérios para além do número de habitantes na redução do número de chefias
“Nas autarquias a realidade em termos das chefias é muito diferenciada. O município de Bragança é mais extenso do que o município de S. João da Madeira, por exemplo, mas este tem mais população do que Bragança. Por esta lógica S. João da Madeira vai ficar com um número de chefias superior à que necessita”, constata o autarca.
Jorge Nunes diz, ainda, que é preciso conhecer a reestruturação no seu todo para perceber a organização dos recursos humanos intermédios e evitar disparidades salariais.
“Se a remuneração dos chefes de divisão não aumentar poderá haver situações em que um técnico superior tem uma remuneração superior, o que significa que pessoas com mais responsabilidade vão receber um salário mais baixo”, alerta o edil.
Esta reestruturação vai mexer na estrutura de todos os municípios do distrito de Bragança. No caso de Mirandela, que conta, actualmente, com quatro directores de departamento e cinco chefes de divisão, passará a ter, no total, três chefes de divisão, perdendo seis cargos dirigentes.