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Memórias da Lombada

Memórias da Lombada
  • 2 de Agosto de 2011, 14:28

Adérito Alves, um habitante de Palácios, recorda que antes fazia-se tudo à mão. “Agora já não é nada disto, é com máquinas”, refere.
Já Anilda Freitas diz que já há poucas mulheres que ceifem. “Os homens também têm mais força e roubam-nos os lugares”, afirma, envergando uma foice “que agora só tem uso uma vez por ano”, por altura do festival.
Quem não segava há quase 40 anos era Antónia Fernandes, que no passado sábado voltou a pegar na foice. “Estava com vontade de experimentar pois é bom a gente recordar os tempos antigos para não se perderem estas tradições”, reconhece.
No próximo ano, as tarefas deverão ser feitas por uma malhadeira mecânica. “Queremos fazer uma coisa mais mecânica para haver um bocadinho de evolução e também porque a malhadeira já não se usa, pois desde que apareceram as debulhadoras as fazer as ceifas nas terras, elas desapareceram das aldeias e esta é também uma forma de recordar”, explica o presidente da Associação Recreativa e Ambiental de Palácios, Raul Tomé.
A participar nesta segada esteve, também, o Grupo de Teatro do Bolhão, do Porto, que está a montar um espectáculo de dança baseado na obra de Graça Morais. “Ela tem muito presente a ligação à terra e viemos ver como é que ser fazia a segada para nos podermos aproximar desse trabalho”, explica Joana Providência, coreógrafa do grupo de teatro. O espectáculo tem estreia marcada para 30 de Setembro, no Teatro Municipal de Bragança, e vai percorrer várias cidades do país.
Grupo de Teatro do Bolhão estuda tradições para montar bailado sobre Graça Morais
O Festival de Música e Tradição da Lombada contou, ainda, com uma feira de artesanato e produtos da terra. Nela participaram oito expositores locais que vendiam cestas, carros de bois, arados, malhos e diversos produtos agrícolas. Neste festival de música não podiam faltar os gaiteiros no já habitual Encontro de Tocadores do Nordeste. “A gaita, a concertina, o realejo e acordeão são os instrumentos tradicionais que mais se tocavam aqui na região”, refere Raul Tomé.

Sandra Bento

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