Belgas recuperam pombais
O objectivo desta intervenção é preservar estas construções típicas do meio rural.
Segundo Manuel Gomes, monitor do campo de trabalho, esta acção dos jovens estudantes surge da necessidade de recuperar os pombais e, ao mesmo tempo, fazê-lo com recurso a mão-de-obra barata, já que todo o trabalho é voluntário.
“Os alunos estão a cumprir um estágio prático através de um organização francesa. Foram encaminhados para a região para aprenderem técnicas ancestrais de construção”, acrescentou o responsável.
Nem o calor que se faz sentir por terras transmontanas desmotiva rapazes e raparigas, que, empenhados, pintam, argamassam, pregam madeira e limpam estes típicos imóveis encaixados no meio da paisagem. Aqui as temperaturas, nesta altura do ano, chegam a atingir os 40 graus célsius.
Julie Nader, estudante da Universidade de St. Luc (Bruxelas), que participa no campo de trabalho, disse que a experiência está a tornar-se muito interessante, já que durante a estadia no campo se apreendem as técnicas locais de construção deste tipo de imóveis.
“Utilizamos muitos materiais que existem na região, onde a paisagem é soberba e este tipo de construção é única”, acrescentou a estudante de Arquitectura.
Na região transmontana e beirã existem centenas de pombais, alguns vão sendo recuperados pelos proprietários, Parque Natural do Douro Internacional, CORAne e pela associação de proprietários de pombais tradicionais Palombar.
“ Estes campos de trabalho proporcionam aos participantes uma forma diferentes de passarem as suas férias, já que lhes é proporcionado um contacto directo como o meio natural da região e com as populações locais”, destaca Manuel Gomes.
Só na pequena aldeia de Uva há cerca de 44 pombais, muitos deles já recuperados. No entanto, os responsáveis dizem que é preciso fazer mais, para devolver a “dignidade” e a utilidade que estas construções tiveram em outros tempos na economia local.
“Destes 44 pombais em Uva, 30 já estão recuperados, faltando, apenas, intervir em 14, o que certamente será feito”, contabilizou Manuel Gomes.
Apesar de os “obreiros” estarem a frequentar um curso de Arquitectura, nada os impede de arregaçarem as mangas e colocarem mãos à obra, respeitando sempre a traça original de cada pombal.
Durante os 13 dias de duração do campo internacional de trabalho serão intervencionados três pombais.