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Pancadaria no hospital

Pancadaria no hospital
  • 22 de Junho de 2011, 08:39

Os confrontos entre os grupos, que envolvem estudantes africanos, já começaram no início do ano, motivados por algumas relações amorosas que chegaram ao fim, alegadamente pela influência de alguns elementos dos estudantes.
A instabilidade agravou-se na madrugada de sábado, quando um jovem de 16 anos foi esfaqueado na cara e teve de receber assistência hospitalar, sendo suturado com 18 pontos. Esta vítima não estaria relacionada com o grupo, fazendo-se apenas acompanhar de alguns elementos. No entanto, é irmão de um indivíduo que também já teria protagonizado desacatos com um estudante africano, há alguns meses, o mesmo que agora lhe terá desferido os golpes, alegadamente por vingança. Este cidadão são tomense já está identificado pela PSP e incorre num crime de ofensa à integridade física grave.
Por volta da hora de almoço, um dos estudantes africanos deu entrada na urgência, depois de também ter sido agredido. Pouco tempo depois, os dois grupos encontraram-se na unidade hospitalar e gerou-se a confusão. “Parecia um pandemónio. Uns a correr atrás dos outros, eram rapazes de cor e outros brancos atrás, à pedrada e à paulada, com facas e cutelos” refere Leonel Pires, uma testemunha, acrescentando “a sala de espera estava praticamente cheia. Umas pessoas fugiram, outras desviaram-se como puderam”.
“Não era preciso fazerem isto”, considera Laura Paranhos. “Não podemos ser racistas, temos de nos respeitar uns aos outros” acrescenta, salientando que ficou assustada. “O meu filho meteu-se na casa de banho e não queria sair de lá, já nem queria ser consultado”.
Ao todo, sete indivíduos ficaram feridos. As autoridades identificaram 15 jovens, mas alguns conseguiram fugir. Um dos fugitivos foi esfaqueado numa mão e ao chegar a casa acabou por pedir assistência ao 112, regressando ao hospital transportado pelos bombeiros de Bragança, que tiveram de pedir a ajuda da PSP para garantir a segurança.

“Eram rapazes de cor e outros brancos atrás, à pedrada e à paulada, com facas e cutelos”

Nesta altura, um dos grupos regressou à unidade hospitalar, alegadamente com a intenção de se vingar. Gerou-se novamente a confusão, mas desta vez no parque de estacionamento junto à entrada principal da unidade hospitalar.
As autoridades conseguiram evitar a aproximação entre os dois grupos, mas viram-se obrigadas a recorrer a armas e a gás-pimenta para afastar os indivíduos. Um acabou detido, oferecendo alguma resistência, respondendo, por isso, por um crime de desobediência à autoridade. Vai ser ouvido em tribunal no dia 29 de Julho.

Sandra Bento

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