“Eu fui feito em Bragança”
1 @ Qual é a tua relação com Bragança?
R: Eu fui feito em Bragança, na Pensão Poças. O meu pai estava lá hospedado, enquanto dava aqui formação na companhia de seguros Ultramarina, a minha mãe veio cá ter com ele e pimba! Nove meses depois, estava cá eu. Portanto, tenho uma costela brigantina.
2 @ Com a casa completamente lotada, como é que sentiste o fervoroso público transmontano?
R: Deu para brincar com todos… Desde as piadas mais brejeiras e simples, ao humor mais inteligente, apanharam tudo. Foi um público fantástico!
3 @ Desde o programa televisivo “Levanta-te e Ri”, nunca paraste com as actuações?
R: Nunca! Aqui e fora de Portugal…
4 @ Diz-nos alguns países estrangeiros onde já tenhas ido actuar para as comunidades portuguesas?
R: Deixa cá ver… A ver se não me esqueço de nenhum. Vou começar pelos mais difíceis: Córsega, Andorra, Mónaco, Venezuela, África do Sul, Moçambique, Canadá, Estados Unidos, França, Alemanha, Bélgica, Suíça, Inglaterra e peço desculpa se me esqueci de algum.
5 @ Como é que relembras os tempos do Levanta-te e Ri?
R: Foram tempos fantásticos que mudaram a página do humor português. O humor nacional tinha estacionado, até porque não havia concorrência. Havia um ou dois humoristas grandes e o resto era paisagem. O Levanta-te e Ri, quer queiram, quer não, abriu as portas a muitos que, se calhar, ainda hoje, falam mal do programa. E foi o próprio Levanta-te e Ri que lhes deu a mão e os colocou onde estão hoje.
6 @ Achas que foi esse o momento alto do Stand Up em Portugal?
R: Claro! Mas tens dúvidas? Nem tu, nem ninguém! Ninguém pode ter dúvidas disso! Aliás, esse foi o único momento alto de Stand Up em Portugal, ponto final. Depois, houve imitações que ficaram muito aquém. Mas nunca mais conseguiram fazer nada de jeito.
7 @ Como é que analisas, agora, o Stand Up nacional?
R: Cada vez está melhor! Só não temos essa noção porque não existe nenhum programa em televisão. Mas se as pessoas se derem ao trabalho de verificar os humoristas da actualidade, seja eu ou outro gajo qualquer, irão ver que estamos cada vez melhor. Com os seus textos, na sua forma de estarem no palco, na sua performance, os tempos, a respiração, o silêncio, que faz muita falta. Agora, se houvesse outro Levanta-te e Ri, iria ser muito mais exigente porque o público também está mais exigente e os humoristas estão cada vez melhores.
8 @ Continuas ligado à televisão?
R: Não! Nem quero, para já. Continuei, depois do programa, por mais dois anos, porque tinha contracto com a SIC. Fui obrigado a fazer programas como Fátima Lopes, Contacto, Maré Alta, Malucos do Riso, uma data de coisas…
9 @ Mas gostavas de regressar à caixinha mágica?
R: Para já, não! A televisão é bom para te tornares conhecido, mas, depois de o seres, se permaneces ligado a ela, a televisão esgota-te. Eu já consegui o estatuto que queria. Agora, só quero continuar com o meu trabalho. Se for, é como convidado de um programa qualquer. Dou um ar da minha graça, marco pontos e venho-me embora.