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Misericórdia de Alfândega quer hipotecar lar para pagar dívidas

Misericórdia de Alfândega quer hipotecar lar para pagar dívidas
  • 27 de Abril de 2011, 10:31

A instituição está a braços com problemas financeiros e só com uma operação financeira conseguirá liquidar alguns salários em atraso e pagar a fornecedores.
O provedor da SCMAF, Arsénio Pereira, afirmou ao Jornal NORDESTE que hoje, terça-feira, foi dado um passo importante para que o Lar, construído há cerca de 30 anos, possa finalmente ser registado como propriedade da Santa Casa. “ Havia determinados pormenores que até hoje não nos permitiam fazer o registo. Hoje avançou-se nesse sentido. Há questões que ainda não são definitivas, mas nesta quinta-feira tenho esperança que serão definidos esses pormenores para podermos avançar com o registo”, explicou o provedor.
Depois de concretizado o registo, a instituição poderá avançar com o pedido de empréstimo à banca, com quem Arsénio Pereira garante que “já há conversações adiantadas”.
O provedor da SCMAF confirma que há salários em atraso, mas desdramatiza a gravidade da situação. “Estamos a falar em seis salários relativos ao mês de Fevereiro, num universo de cerca de 70 funcionários, na sequência de ajustes feitos pela Segurança Social, que por imposição legal nos obrigou a ter menos 15 utentes, o que significou uma quebra de receitas”, acrescenta Arsénio Pereira.

Santa Casa da Misericórdia precisa de reestruturar o quadro de pessoal para poder fazer uma gestão rigorosa dos recursos

O responsável adianta, ainda, que os técnicos que têm os salários em atraso estão afectos ao Jardim-de-Infância, uma valência que dá 100 mil euros de prejuízo anual à instituição. “Temos que reestruturar o quadro de pessoal. Esta valência está a ser vítima da desertificação do interior. Não temos crianças suficientes para suportar quatro educadoras”, constata o responsável.
Perante esta situação, Arsénio Pereira afirma que a SCMAF já não está a renovar os contratos a termo, deverá avançar com um plano de mobilidade para rentabilizar os recursos humanos e irá estudar a necessidade de haver despedimentos.
Relativamente aos salários em atraso, o provedor garante que serão pagos mal a instituição consiga o empréstimo bancário, uma situação de acredita que poderá demorar cerca de um mês.
Quanto aos problemas financeiros da instituição, Arsénio Pereira salvaguarda que resultam de um acumular de situações que se têm vindo a arrastar desde 2004 e algumas serão mesmo anteriores. O provedor lembra que quando chegou à direcção da SCMAF, em 2007, havia empresas desajustadas à realidade do município, que acumulavam prejuízos ano após ano, e dá mesmo o exemplo da empresa de azulejos que apresentava um prejuízo de 50 mil euros.

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