“Os alunos merecem todo o nosso empenho”
FACTOS
Nomeado: Jorge Guerra
Naturalidade: Bissau – Guiné Portuguesa
Data de Nascimento: 28-06-59
Ofício: Professor 1º Ciclo
Cargo: Presidente da Casa do Professor de Bragança
Música ou banda sonora: The Doors, Pink Floyd e Deep Purple
Um Filme que o marcou: A Lista de Schindler de Steven Spielberg
Um destino de férias: Moimenta – Vinhais
Um Livro: O Principezinho
Cor: Vermelho
Interesses: Cinema, Música e Desporto (basquetebol)
Maior virtude: Trabalhador
Maior defeito: Pessimista
ENTREVISTA
1 @ Quando e como surgiu o seu gosto pela docência? É de si próprio ou foi um interesse cultivado ao longo do tempo?
R: O gosto pela docência surge, primeiro, por influência familiar, do lado materno (são oito professores). Outra das influências surge durante a minha juventude, enquanto trabalhava nas Férias de Verão e participava no FAOJ (Instituto da Juventude) em ateliers de pintura e de teatro de fantoches com crianças dos 6 aos 10 anos. Gostei muito desses tempos, os quais recordo com saudade!
2 @ Visto que leccionou a diferentes ciclos, inclusive, no ensino superior, quem prefere ensinar? Os mais pequenos ou os mais graúdos?
R: São dois mundos que se complementam. Ensinar é questionar, partilhar, criar… imaginar. Ensinar implica seleccionar tarefas que desafiem as capacidades e a inteligência dos alunos, para que possam compreender a vida, dar-lhe significado, para que usufruam da liberdade que o conhecimento proporciona. Aprecio os dois níveis, pois são duas formas de partilha de conhecimento que se cruzam e completam.
3 @ Preside à Casa do Professor de Bragança há quantos anos? Como é que nasceu essa ligação?
R: Presido à Casa do Professor de Bragança há sete anos. A ligação aparece após um convite para me tornar associado. Uma proposta feita por parte de um amigo e colega, Francisco Padrão, que, na altura, estava na direcção. Mais tarde, pertenci à direcção presidida por Carlos Silvestre.
4 @ A Casa do Professor tem desenvolvido diversas actividades em vários âmbitos. Nomeadamente, culturais. Que iniciativas pensam organizar num futuro próximo?
R: As próximas iniciativas são: um curso de informática (estão abertas inscrições, as aulas vão de correr na Escola Paulo Quintela), a festa de Aniversário, dia 30 de Abril, com missa pelas 17 horas na Igreja de Santa Maria, seguida de jantar na Casa do Professor, o V Sarau de Poesia das Escolas, em Maio, os Santos Populares, em Junho, e uma viagem no mês seguinte (Julho), para a qual decorrem já as inscrições.
5 @ Têm, também, diversas actividades e alguns cursos desenvolvidos regularmente. Que práticas são essas e estão abertas a quem?
R: São ateliers que estão abertos a todos os associados e familiares, Pintura, Pintura em Cerâmica, Informática e, derivado do protocolo com a Universidade Sénior do Rotary, temos muitas outras actividades em que podem participar. Destaco o nosso Contador de Histórias, o professor Carlos Genésio, que continua com a agenda repleta de convites para Escolas e jardins-de-infância.
6 @ Como é que analisa o ensino em Trás-os-Montes? Sobretudo, em Bragança, por ser a realidade que melhor conhece.
“Um professor é avaliado todos os dias, pelos pais e pelos alunos”
R: Temos bons profissionais e instalações dignas. Infelizmente, falta-nos o principal, os alunos, que cada vez são menos.
7 @ E no País?
R: Portugal sofreu mudanças profundas no campo da educação, pelo que, em jeito de reflexão, cito Goodlad (1984): “Eu permaneço optimista, talvez porque é, para mim, uma contradição ser, simultaneamente, pessimista e educador”. Embora eu, normalmente, seja pessimista.
8 @ Recentemente, foi reprovada no Parlamento a Avaliação dos Professores. Concorda com essa Avaliação? Ou, na sua opinião, os professores não devem ser avaliados? Pelo menos, não daquela maneira.
R: Sou a favor da avaliação dos professores, mas não concordo com este modelo de avaliação porque o acho injusto, redutor, arbitrário, ineficaz e muito burocrata. Um professor é avaliado, todos os dias, pelo seu desempenho entre os seus pares, pelos pais e pelos alunos. Aí sim, reside a verdadeira avaliação.
9 @ A entrada em Portugal do Fundo Europeu de Estabilização Financeira é, agora, uma realidade. Enquanto docente, como é que descreve o cenário de crise política? E como é que a actual conjuntura económica pode influenciar o ensino no país?
R: Preocupa-me duplamente como professor e como pai. Como professor, pela falta de alunos que vai resultar no fecho de mais escolas. Enquanto pai, preocupa-me o futuro profissional dos meus filhos.
10 @ Perante tantas dificuldades, o que é que, ainda, o motiva a dar aulas?
R: Os alunos, que merecem todo o nosso empenho e esforço para minorar as faltas que possam vir a sentir.
CAIXA
Discurso directo
“Iniciei funções em 1 de Outubro de 1982 em Urros – Torre de Moncorvo, passei pelos concelhos de Carrazeda de Ansiães, Alfândega da Fé, Vinhais, Mirandela, Bragança e, actualmente, estou no Agrupamento Vertical de Escolas de Macedo de Cavaleiros. Também leccionei, durante sete anos, a Cadeira de Desenvolvimento Curricular Métodos e Técnicas de Ensino na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança. Para além de ter trabalhado dois anos no Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros. Trabalhei, ainda, como Técnico no Instituto do Desporto em Bragança e em Coimbra, onde fui Director da Piscina de Celas, Director das Instalações Náuticas e Delegado Regional Interino designado pelo então Secretário de Estado Castro de Almeida.