“Pintor sou e serei sempre!”
FACTOS
Nomeado: João Simões
Naturalidade: Viana do Castelo
Data de Nascimento: 18 /04 /1946
Ofício: Pintor
Música ou banda sonora: Verdi Nabuco
Filme: O Monte dos Vendavais
Um destino de férias: Malta
Interesses: Artes e História
ENTREVISTA
1 @ Quando e como surgiu o seu gosto pela pintura?
R: De muito jovem. Gostava imenso de desenhar e, na realidade, esse gosto, essa paixão, surgiu de uma espreitadela numa exposição nos Paços do Concelho em Viana do Castelo. Não posso esquecer o que eu pensei: eu sou capaz! Alguns anos depois, surgiram as minhas primeiras obras.
2 @ O que prefere pintar? Retratos, paisagens, naturezas mortas?
R: Comecei por gostar do impressionismo paisagístico. Depois, veio o amor por Vincent Van Gogh. Esse sentimento levou-me a ir morar, durante seis anos, muito cerca de Auvers-sur-Oise, em França, onde foram sepultados os dois irmãos. Aí, desenvolvi a técnica expressionista, criámos um grupo de amigos e uma tendência que, no momento, teve um certo reconhecimento. E no seguimento e na ordem, o simbolismo. Mas a pintura não é para mim, o querer a todo o preço o sucesso. A pintura é o meu gozo extremo e o meu sofrimento.
3 @ Permanece ligado ao Rotary Clube de Bragança? Em que sentido?
R: Sim! Como companheiro… Para mim, o Rotary é muito importante, pois sinto-me bem em tentar fazer com ele algo de útil na sociedade.
4 @ Está, também, ligado à Casa do Professor de Bragança. Fale-nos dessa conexão.
R: O Rotary tem um protocolo com a Casa do Professor para que possamos usufruir do espaço físico para as funções da Universidade Sénior do Rotary. Para além disso, existe uma grande amizade que nos une.
5 @ Há quantos anos chegou a Bragança?
R: Cheguei a Bragança em Abril de 2001. Vim acompanhar um amigo me, Eurico Pires, que faleceu depois. Vim para suporte da sua exposição de escultura e acabei por ficar, devido a razões muito fortes. Aí, a minha vida começou a modificar-se de forma avassaladora. Tentei criar outros interesses, mas foi fora de Bragança que consegui fazer o que sempre me deu prazer, ensinar.
João Simões pretende recuperar para poder dar seguimento à sua obra e aos seus projecto pessoais
8 @ Como é que vê a cultura em Trás-os-Montes? E no País?
R: São realidades distintas! E nem as possibilidades são idênticas, nem o interesse. Mas devo louvar as iniciativas do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais
9 @ Como é que um pintor vê o cenário de crise política? E como é que a actual conjuntura económica pode influenciar a cultura em Portugal
R: Se nunca se interessaram quando havia possibilidades, o que dizer agora.
10 @ Recentemente, teve uns complicações relacionadas com a sua saúde e está, neste momento, a recuperar em Viana do Castelo. Quer falar sobre essa situação?
R: Quero agradecer aos meus amigos, que se preocupam. Um muito obrigado! Em verdade, estou com o meu coração bastante sofrido. Não é novo, já viveu e pulsou muito… Agora, está um pouco mais cansado e isso, claro está, que me afecta muito. Pois gostaria, ainda, de realizar muitos projectos.
Actualmente, estou na minha cidade, onde nasci e onde tenho toda a minha família, Viana do Castelo. Não podendo estar só, dado o meu estado de saúde, tenho esperança, ainda, de conseguir realizar aquilo que já idealizei.
11 @ Ainda pensa organizar o 1º Encontro Internacional de Pintores em Bragança no ano de 2011. Ou essa iniciativa deverá ser adiada para o ano seguinte?
R: Vai ser um pouco difícil conseguir organizar o encontro em 2011. Apesar de já ter começado a contactar os artistas mais próximos, a alternativa é ser adiado.
12 @ Para quando poderemos contar com uma exposição sua em Bragança ou, pelo menos, no distrito?
R: Será uma surpresa, isto no caso de me convidarem. A obra é grande em si e quero muito poder continuá-la.
13 @ Quais são os seus pintores de referência? Quer nacionais, quer estrangeiros.
R: Caravagio, Van Gogh e Amadeo Modigliani.
14 @ O que é que, ainda, o inspira?
R: Pensar que tudo isto não passa de um pesadelo e que poderei, um dia, voltar a pintar como antes.
Discurso Directo
“ Iniciei-me na pintura em 1965 na cidade de Viana do Castelo. Depois do meu regresso de África, em 1970, continuo a pintar e viajo através da Europa. Em 1990, no centenário da morte de Van Gogh, rendo-lhe homenagem com uma exposição em Portugal. No mesmo ano, participo no Palácio de Bourbon (Assembleia Nacional) em Paris e ganho o 1º prémio da Escola de Arte Camille Claudel, em França.