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Parque de Montesinho aproxima-se das populações

Parque de Montesinho aproxima-se das populações
  • 23 de Março de 2011, 08:38

Aproximar a gestão do Parque Natural de Montesinho (PNM) das populações que nele habitam é o objectivo dos actuais responsáveis pelo Departamento de Gestão das Áreas Classificadas do Norte (DGACN), que querem pôr um ponto final nos “mal entendidos” entre as regras do parque e aquilo que são as necessidades das populações.
Durante uma visita à área protegida, que decorreu ontem, o director-adjunto do DACN, Vitório Martins, afirmou que já encetou reuniões com representantes das autarquias e dos Conselhos Directivos de Baldios para esclarecer a missão do PNM. “ Quero reunir com todos eles e propor algumas soluções interessantes para tirar alguns custos às pessoas que, normalmente, têm que se deslocar a Bragança ou a Vinhais”, realçou o responsável.
Também o director do DGACN, Lagido Domingos, aproveitou as comemorações do Dia Mundial da Árvore para ajudar a plantar algumas espécies, que também foram apadrinhadas pela comunicação social, e, ao mesmo tempo, estreitar laços com as populações. “ Era uma preocupação minha promover o contacto com as populações no sentido de se reatar o diálogo entre o Parque e as várias entidades, no sentido de haver uma maior comunicação”, acrescentou o responsável.
Numa viagem pelos trilhos do PNM, a primeira paragem foi na aldeia de Aveleda, onde se plantaram algumas cerejeiras bravas, que vão servir para ajudar a consolidar as margens do rio que atravessa a aldeia.

Na aldeia de Montesinho a população ainda se preocupa em recuperar as casas seguindo a traça original

Aqui, o presidente da Junta de Freguesia, José Carlos, afirma que tem “uma excelente” relação com o parque desde que assumiu os comandos da autarquia, mas reconhece que os desentendimentos que se verificavam anteriormente se deviam à falta de diálogo.
O autarca aproveitou a visita à sua freguesia para pedir aos responsáveis do Parque que intervenham ao nível da limpeza da envolvente ao ninho de cegonha que está na aldeia, para que esta espécie possa ser ainda mais protegida.
Por sua vez, o presidente da Junta de Freguesia de Espinhosela, Telmo Afonso, durante a passagem por Cova de Lua, lembrou que é fundamental que o Parque esteja mais aberto às necessidades das populações. “O que está feito na zona do parque foi construído pelas pessoas que cá vivem. Toda esta paisagem maravilhosa foram os nossos antepassados que a proporcionaram e está cá bem protegida”, defende o autarca.
No périplo pelo Parque, onde ainda se encontram paisagens onde a intervenção do homem deixou de existir há muito e a natureza está a regressar ao estado selvagem, passagem, ainda, por uma das aldeias mais típicas do PNM. Em Montesinho, encontram-se as tradicionais casas de granito, com telhados de lousa e as tradicionais varandas em madeira.
Luzia Sendim, de 72 anos, vive em Montesinho e conta que recuperou a sua casa tendo em conta a traça original. Esta foi uma preocupação desta moradora, que garante que a aldeia é muito visitada por turistas.
A visita ao PNM terminou no concelho de Vinhais, com passagem pela Serra da Coroa, aldeia da Moimenta e com a plantação de árvores no Parque Biológico de Vinhais.

CAIXA
Casas de turismo passam para privados

As 15 casas de turismo que pertencem ao Parque Natural de Montesinho (PNM) vão passar para as mãos de privados. O Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) está a realizar o trabalho burocrático necessário para que estas infra-estruturas possam ser geridas por empresários do ramo.
“As casas que o Parque tinha cumpriram a sua missão histórica, que foi promover a visitação desta área”, realça o director do DGACN, Lagido Domingos.
No entanto, o responsável avança que há processos burocráticos complicados que têm que ser resolvidos antes de privatizar as casas de turismo rural. “É preciso que a situação registral destas casas esteja devidamente regularizada e que haja as devidas autorizações para que o património seja transferido”, explica Lagido Domingos.
Os imóveis que estão protocolados com as Juntas de Freguesia serão, no entanto, os últimos a alienar. “A nossa preocupação é que estas casas possam ter utilização e para isso é preciso fazer uma acção promocional forte”, enfatiza o responsável.

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