Devolver a palavra aos Portugueses
A semana que passou foi politicamente intensa! Há já muito tempo que Portugal não vivia um período tão dinâmico e substantivamente rico, como aquele que foi vivido durante a semana que passou. Finalmente tomou posse o Presidente da República. Finalmente foi discutida a moção de censura ao Governo, apresentada pelo Bloco de Esquerda. Finalmente a Alemanha e a França reforçaram o fundo de estabilização europeia e flexibilizaram as regras ao respectivo acesso. Finalmente as gerações de portugueses à “rasca” desfilaram pelas ruas do país, e de algumas capitais europeias, exibindo o real estado de Portugal. Finalmente professores e camionistas declararam novos protestos e conflitos com o Executivo Socialista, liderado pelo Primeiro-Ministro José Sócrates. Digo finalmente porque era mais ou menos evidente que, mais cedo ou mais tarde, seria inevitável que a conflitualidade política e social no país subisse de tom e os portugueses, perdendo definitivamente a paciência, dissessem basta, não apenas ao programa ou agenda política socialista, mas à forma de fazer e pensar política neste país e na Europa! Os portugueses pronunciaram-se nas ruas e nas suas organizações sindicais, cívicas e políticas e disseram basta a uma política errática, descontínua e fracassada que sacrifica o suor e sofrimento dos portugueses no sagrado altar dos mercados financeiros, esses entes tão presentes na nossa vida colectiva e tão distantes do quotidiano das nossas realidades particulares. Só a teimosia de um Primeiro-Ministro que, inequivocamente, padece de um problema de “hipertrofia do eu” parece explicar a insistência em ditar do alto do Palácio de S. Bento o agravamento dos sacrifícios a que se pretende sujeitar o país, sem que as medidas ou políticas que se pretende pôr em prática sejam debatidas, negociadas e explicadas com os demais agentes políticos, económicos e sociais de Portugal. Nenhum português, muito menos o Primeiro-Ministro, ou qualquer membro do Governo, podem arrogar-se o direito de deter o monopólio da razão ou do patriotismo necessários ao desenvolvimento de um programa nacional de reforma das instituições públicas, saneamento financeiro do Estado ou relançamento da nossa economia. José Sócrates, habituado a não ser contrariado e a prosseguir com a implementação de políticas que visam apenas sacrificar o esforço dos portugueses, mascarando a omissão de esforço do executivo na adopção de quaisquer verdadeiras reformas no Sector Administrativo do Estado ou no Sector Empresarial do Estado, procura gerir politicamente os seus tempos e desgastar os líderes da Oposição. Aliás, os mesmos responsáveis políticos que se apresentam perante os portugueses com o discurso da necessidade de se alargar a base social de suporte dos sacrifícios, aumentando os impostos e taxas do Estado, são os mesmos que se sentem confortáveis em manter regimes de excepção e privilégio em empresas participadas por capitais públicos, mesmo quando estas se encontram em situação deficitária ou com desequilíbrios. Não se conhecem medidas de extinção ou fusão de empresas públicas! Não se conhecem extinções ou fusões de Institutos, Fundações ou Associações Públicas, com relevo e impacto efectivo nas contas do Estado. Não se conhece a este Governo qualquer outro objectivo ou estratégia para o país que não seja a famigerada meta do deficit das contas públicas, nem que para isso viole os limites de emissão da dívida pública.
Enquanto isso, o Executivo Socialista aposta no lançamento de novas medidas de corte e austeridade, sacrificando os sectores mais débeis e frágeis da nossa sociedade. É imoral e errado cortar nas pensões e reformas! É errado, aumentar, ainda mais, os Impostos! É errado cortar, ainda mais, as transferências para as autarquias! É errado, dificultar, ainda mais, o acesso dos portugueses ao ensino e à saúde! E não se construam ilusões ou equívocos quanto ao impacto destas medidas para o país em geral e para a nossa região em particular. Confrontando as características socioeconómicas do nosso distrito, fortemente marcadas pelo predomínio de uma população envelhecida e com reformas baixas, com o investimento predominantemente impulsionado pelos Municípios e Freguesias, facilmente se concluirá que as medidas serão fortemente nocivas aos interesses de desenvolvimento da região e ao bem-estar da nossa população. O Governo de José Sócrates está esgotado, sem estratégia e sem motivação, fazendo, hoje, parte do problema e não da solução de que todos precisamos! Justifica-se a devolução da palavra aos portugueses e construção colectiva de um novo projecto político para Portugal e para os Portugueses, legitimado e impulsionado pela vontade e determinação de todos!