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Portugueses e espanhóis limpam Linha do Douro

Portugueses e espanhóis limpam Linha do Douro
  • 17 de Março de 2011, 01:52

Cerca de três dezenas de voluntários portugueses e espanhóis iniciaram, no passado fim-de-semana, a limpeza da linha ferroviária entre Fuentes de San Esteban (Espanha) e o Pocinho (Vila Nova de Foz Côa), actualmente desactivada.
Esta primeira intervenção, levada a efeito pela Associação transfronteiriça Todavia, arrancou em Lumbrales (Espanha), estando programada para o próximo mês de Abril a conclusão dos trabalhos de limpeza e desobstrução da via.
O representante espanhol da associação “todavia”, José Herrero, lamenta que as instituições e governos ibéricos ainda não tenham encontrado uma saída para o futuro da linha. Por esse motivo, “tivemos que mobilizar a sociedade civil de ambos os lados da fronteira para se encontrar uma solução e dar vida à via-férrea”, explicou.
Nem a chuva que se faz sentir demoveu os voluntários num trabalho que consideram “cívico” e de “enriquecimento cultural e turístico” de uma região afastada dos centros de decisão como Madrid ou Lisboa.
“No projecto de revitalização da ferrovia colaboraram pessoas sem interesses económicos ou pessoal, apenas se movem utilizando as suas máquinas e ferramentas para transformar uma legado histórico num ponto de interesse cultural e turístico,” salientou José Herrero.

“Este é o começo de uma série de projectos delineados por vários especialistas em caminhos-de-ferro”

Os defensores da ferrovia do Douro, que fazia a ligação entre o Porto e Salamanca, garantem que estas acções não pretendem criticar os governos dos dois países, mas “actuar em defesa do património ferroviário”.
A ideia passa por abranger todo o traçado de linha-férrea entre Fuentes de San Estaban, Lumbrales, Barca d’Alva, Pocinho e Estação do Côa.
Os apoiantes da reabertura deste troço da Linha do Douro advogam que, pela “união de saberes” de diversos especialistas locais, estes troços de via podem passar para as mãos de pequenas empresas ou associações que façam a sua exploração e manutenção.
“Há uma série de pequenos veículos movidos a energia solar, a pedais ou até mesmo a outros tipos de combustíveis” que poderão ali circular sem obrigar a grandes intervenções nos túneis ou outras obras de arte” garantiram os responsáveis da associação “Todavia”.
“São estas vertentes que terão de ser aproveitadas no futuro para fazer convergir à região transfronteiriça do Douro, um desenvolvimento sustentável tão necessário,” defendem os partidários da via transfronteiriça.
Por seu lado, o mentor da iniciativa do lado português, Daniel Gil, considera que este é o começo de uma série de projectos delineados por vários especialistas em caminhos de ferro, em conjunto com a associação, que a seu tempo serão apresentados à Administradora de Infra-estruturas Ferroviárias (ADIF), a congénere da REFER em território espanhol.
A prazo, pretende-se, também, entregar um projecto ao Estado Português, com vista ao aproveitamento turístico da linha entre Fontes de San Esteban e Pocinho, um percurso desactivado há mais de duas dezenas de anos.

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