Região

Instabilidade reina no matadouro do Cachão

  • 9 de Março de 2011, 22:04

Os trabalhadores do matadouro do Cachão fecharam os portões daquela unidade de abate de animais, na passada terça-feira, para tentar impedir a penhora de equipamentos e viaturas por parte de um fornecedor.
Segundo a Cadeia Regional de Informação (CIR), a presença de alguns agentes da GNR, um de rebocador e de uma solicitadora de execução alertou os funcionários, que estão preocupados com a manutenção dos postos de trabalho.
Em declarações à CIR, Hermínio Alves, trabalhador do matadouro explicou o que aconteceu para deixar os funcionários em alerta e impedirem a saída da maquinaria da unidade de abate. “Deparámos com uma situação que nunca tinha acontecido. Apareceu um reboque para carregar algumas viaturas, para pagar uma dívida a um fornecedor”, avança o trabalhador.
Hermínio Alves mostra-se, ainda, preocupado com os postos de trabalho dos funcionários perante a instabilidade vivida por quem trabalha na empresa. “Nós não sabemos o que nos pode acontecer amanhã. Podemos chegar aqui e encontrar as portas fechadas. Isto está mesmo mal”, acrescenta o funcionário.
O clima de incerteza junto dos cerca de 40 trabalhadores do matadouro terá começado logo pela manhã, altura em que os colaboradores se deparam com a falta de cartões de ponto. “Começámos a comentar o que é que se passava porque ainda não tínhamos os cartões deste mês”, afirma Hermínio Alves.

José Silvano garante que estão a ser reunidos esforços para salvar os postos de trabalho naquela unidade de abate

Apesar de não terem ordenados em atraso, este trabalhador afirma que o futuro poderá mesmo passar pelo encerramento do matadouro.
“Os vencimentos estão actualizados, mas nós andamos a trabalhar e não sabemos se recebemos nem em que dia. Devia haver alguém que tivesse mão nisto e se não houver outra solução que feche”, desabafa o trabalhador.
Com este problema aparentemente resolvido, os portões do matadouro foram entretanto abertos para receber gado.
No entanto, a administração do matadouro recusou-se a dar explicações aos jornalistas sobre os problemas vividos naquela Unidade de Abate.
Já o presidente da Câmara Municipal de Mirandela, José Silvano, garantiu à Brigantia que as partes chegaram a um entendimento. “Os administradores ficaram como fiéis depositários dos bens que iam ser penhorados até arranjarmos alternativas. Também estamos à espera de receber de alguns credores para poder pagar a essas empresas”, explica o autarca.
O edil mirandelense apela, ainda, à calma dos trabalhadores, para que seja encontrada uma solução definitiva para o matadouro do Cachão.
“As câmaras estão a fazer tudo para que os funcionários recebam e não haja despedimentos. Queremos arranjar uma solução que seja capaz de manter os postos de trabalho no futuro”, acrescenta José Silvano.
A resolução do problema poderá passar pela entrega da gestão do matadouro a um privado ou as próprias autarquias que detêm o capital social (Mirandela e Vila Flor) assumirem a gestão daquele equipamento.
Recorde-se que a Agro-Industrial do Nordeste, com o capital social repartido pelas Câmaras de Mirandela e Vila Flor, adquiriu o matadouro à PEC Nordeste, um negócio que, há quatro anos, envolveu 450 mil euros.

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