Produtores de leite deixam actividade
Os produtores de leite da região do Planalto Mirandês estão a encerrar as explorações devido à crise. Nos concelhos de Mogadouro e Miranda do Douro há mesmo quem transforme os estábulos em pocilgas, uma actividade que consideram mais rentável.
As apostas dos criadores de gado viram-se para a suinicultura e criação de gado ovino e caprino, por serem “ mais rentáveis” e o preço dos factores de produção são “mais baixos”.
Por seu lado, o presidente da Associação de Produtores de Leite do Planalto Mirandês, Higino Ribeiro, realça que os custos de produção são incomportáveis para os produtores leite.
“O preço do leite é pago aos produtores a 30 cêntimos. O quilo de ração custa 35 cêntimos. Além deste valor, temos que acrescentar o preço dos fertilizantes e do gasóleo”, contabilizou o dirigente.
Só nos concelhos de Mogadouro e Miranda do Douro fecharam as portas 16 explorações de gado leiteiro no ano passado, o que representa uma quebra na produção mensal de 200 mil litros de leite, produzidos por cerca de 400 vacas que saíram da região.
“Em 2010, a produção de leite rondava os 100 mil litros de leite por dia. Actualmente, os cerca de 120 associados da nossa organização, estão a produzir pouco mais de 60 mil litros de leite/dia”, constatou Higino Ribeiro.
O decréscimo na produção é encarado como “uma quebra substancial” na economia da região, cujo principal pilar de sustentação é precisamente o sector leiteiro.
Explorações de porcos de raça bisara crescem nos concelhos de Miranda e Mogadouro
“Com as quebras de produção e o encerramento das explorações, há uma crise económica que se estende a toda a região”, acreditam os produtores.
Por seu lado, Duarte Guedes, um produtor de leite da aldeia da Granja afiançou que com a produção de leite “só estava a gastar as economias” amealhadas ao longo de 15 anos. Por isso, resolveu abandonar a produção de leite e dedicar-se à criação de porcos bísaros.
O produtor começou o seu novo negócio com cerca uma dúzia porcos e aproveitou todos os equipamentos e máquinas agrícolas que lhe permitem, inclusive, fabricar ração para alimentar os animais. No futuro espera chegar a uma centena de porcos.
“Garantiram-me que a criação de porcos de raça bísara é rentável, já investi na reconversão da minha exploração mais de 35 mil euros do meu bolso. É um tiro no escuro, agora vou aguardar pelos resultados”, adiantou o agricultor.
Mais “desanimado”, estava José Ramos, produtor de leite na aldeia de Sanhoane, para quem este sector já “deu o que tinha a dar”.
“Acredito que ainda não fecharam mais explorações porque não há grandes alternativas. Eu próprio estou a ponderar essa possibilidade, porque, actualmente, é impensável produzir leite enquanto a política agrícolas não mudar”, lamentou o agricultor.
Tempos houve em que produção de leite na região do Planalto era lucrativa e permitia aos produtores uma “vida desafoga”, mas agora “a ruína é eminente”.
Recorde-se que o Planalto assistiu, nos últimos 20 anos, a uma incrementação do sector leiteiro. No entanto, ao longo destas duas décadas sucederam-se episódios que estão a levar ao declínio desta actividade.