2011 preocupa brigantinos
O aumento dos impostos, o anúncio da subida dos preços dos bens essenciais, dos transportes, das rendas, das taxas moderadoras na saúde, em conjunto com as piores previsões, que apontam o crescimento do desemprego, ajudam a traçar um cenário desencorajador para o ano que está a começar.
Ainda estamos em Janeiro e muitos já temem que os 12 meses que estão pela frente não augurem nada de bom. “Sobretudo numa terra onde não há empregos”, referiu Carlos Silva, 25 anos, recém-licenciado em História, desempregado. É precisamente a dificuldade em conseguir trabalho que está a dar origem a uma nova vaga de emigração para o estrangeiro e de migração para o Litoral. Sofia Alves, 28 anos, com uma licenciatura na área da Comunicação, vai arriscar uma nova vida em Londres, para tentar encontrar a oportunidade que, por cá, ainda não conseguiu. “Até agora só tenho arranjado trabalhos temporários, precários e sem qualquer garantia de continuidade. Estou farta! Vou para o estrangeiro procurar uma oportunidade, quem sabe se não tenho sorte”, referiu. A jovem parte com alguma esperança, mas carregada de incertezas, pois não sabe o que a espera. No entanto, confessa a “decepção” perante a letargia em que o distrito está mergulhado. Não existem fábricas, o tecido empresarial continua débil, o marasmo instalou-se e parece não ter fim à vista. “Não se vê qualquer melhoria. Até considero que nos últimos anos a situação da região e da cidade piorou. Constato todos os dias que tanto Bragança, como Mirandela e Macedo de Cavaleiros estão a estagnar”, lamentou Sofia Alves.
Este relato desolador vindo de uma pessoa nova deixa transparecer a decepção de muitos outros jovens que, após a conclusão dos cursos superiores, não encontram na região empregos compatíveis com as suas habilitações. “Não se encontra nada para fazer, nem bom nem mau”, acrescentou.
Mais habituados à dureza da vida, os idosos também olham o futuro com relutância, e recomendam prudência aos mais novos. “Eu já passei os tempos da Segunda Guerra Mundial, quando havia racionamento, mal será se vamos voltar a esse tempo. Mas a vida está dura, principalmente para os mais novos, que não arranjam trabalho”, avaliou Maria Santos, 80 anos, reformada.
“Constato todos os dias que
tanto Bragança, como Mirandela e Macedo de Cavaleiros estão a estagnar”
Ainda que o panorama actual e o futuro não sejam risonhos, ainda há quem faça uma avaliação positiva do ano passado e considere até que há condições para que o ano em curso seja melhor. “Para mim o ano de 2010 foi bom. Acho que foi bom enquanto consumidora e pelo que vejo também foi bom para o comércio local”, admitiu Olímpia Silva, funcionária de uma associação. Esta brigantina anda de bem com a vida e não foi atingida pela crise. “A minha família é pequena, quando se tem crianças surgem maiores dificuldades e mais gastos”, disse. Olímpia Silva considera que “os comerciantes locais se queixam mais do que se justifica”.