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A crença e a devoção na Senhora do Naso

A crença e a devoção na Senhora do Naso
  • 9 de Novembro de 2010, 11:49

Recorde-se que o culto à Senhora do Naso perde-se no tempo, sendo um dos santuários Marianos “mais visitados” no distrito de Bragança.
António Mourinho, historiador e autor do livro “ Senhora do Naso, Crença e Devoção”, garante que a origem do santuário tem mais de mil anos, ao passo que a crença remonta ao início do Cristianismo.
Porém, a história documentada “só existe a partir do século XVI” e é assente em elementos arquitectónicos descobertos na área do santuário, como é caso do portal da igreja e elementos que foram aparecendo com as sucessivas alterações à estrutura religiosa.
“Os indícios de uma antiga estrada romana e uma figura de um mouro em médio relevo são pistas para acreditarmos que o santuário tem mais de mil anos. As lendas a ele associadas levam os crentes a acreditar na verdadeira função do culto à virgem nas terras de Miranda”, assegura António Mourinho.
No entanto, a população das aldeias circundantes ao santuário continuam a ter fé num outro santuário, que dista cerca de dois quilómetros do actual e que a sua origem remonta as início do século XX, cuja crença “nunca foi aceite” no seio das entidades eclesiásticas por se “duvidar” da autenticidade do alegado local de culto.
“A Senhora do Picão poderá ser um embuste. O que é certo é que nem as figuras religiosas entraram no santuário, tendo o templo acabado por se degredar até ao esquecimento, existindo actualmente, apenas, algumas ruínas e a crença popular”, afiançou o investigador.
Os populares da região de Miranda do Douro acreditam que a Senhora do Picão “apareceu a uma vidente” alguns anos entes das aparições de Fátima e só “o isolamento da região trasmontana” fez com que devoção “não fosse mais além”.
O presidente da Confraria da Senhora do Naso e do Picão, Amável Falcão, acredita que os “tumultos” provocados pela implantação da República tiraram “implicância” àquilo que poderia ser hoje um “outro santuário de referência para o culto Mariano no País, à semelhança do santuário de Fátima”.

Nossa Senhora do Picão
poderia ter sido um santuário semelhante ao de Fátima

Apesar de todo o enigma que abrange os dois santuários associado à crença popular, muitos são aqueles que a qualquer dia da semana passam pelos dois locais de culto em busca de alguma “tranquilidade de espírito” e, ao mesmo tempo, “acreditam” que a água que ali nasce “pode ser cura para males maiores”.
Face a esta situação, a Câmara Municipal de Miranda do Douro (CMMD) quer mesmo que o local seja parte integrante dos roteiros do turismo religioso em território nacional.
“ Estamos a pensar em inserir os dois santuários num projecto que dê a conhecer os dois santuários para fins turísticos e religiosos ”, avançou o presidente da CMMD, Artur Nunes.

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