Região

Adega fechou as portas

  • 3 de Novembro de 2010, 10:17

A direcção demissionária não conseguiu arranjar crédito nos últimos três anos para resolver os problemas com os credores. Apesar dos múltiplos esforços em agências bancária da região e de fora, as diligências foram infrutíferas. A declaração de insolvência e a demissão da direcção teve lugar há duas semanas numa reunião de sócios, onde foi decidido criar uma comissão de acompanhamento.
O presidente demissionário, Casimiro Fraga, referiu ao Jornal Nordeste que se trata de uma morte anunciada, uma vez que a situação se arrastava desde 2007. “Quando assumi a direcção pela terceira vez, em Agosto de 2007, já herdei os problemas. Havia processos em tribunal de bancos e credores, bem como processos de penhora e pedidos de levantamento de produtos penhorados”, explicou o responsável. Nessa fase já havia dois anos de atraso em pagamentos às Finanças, Segurança Social e aos bancos. A adega consta da lista negra do Banco de Portugal.
Perante o cenário de catástrofe eminente, Casimiro Fraga buscou apoio junto da Câmara de Vila Flor, que inicialmente se mostrou disponível. “Eu depositava muita esperança na ajuda do senhor presidente, participei em várias reuniões, foram-me feitas promessas”, lamenta, embora reconheça que as autarquias não têm meios legais para actuar nestes casos.
O presidente demissionário adiantou que procurou “incansavelmente” obter um empréstimo bancário, em 2009, mas não conseguiu, por não ter uma entidade fiadora. “Não conseguimos um cêntimo. Nada. Ninguém nos adiantou o dinheiro para saldar as dívidas, nem nos ajudou”, esclareceu.
A situação agravou-se de dia para dia. Em Julho deste ano chegou à ruptura quando a Alfândega Aduaneira, serviços de Bragança e Braga, lhe cancelou a licença de trabalho, motivada pelo incumprimento com as Finanças e a Segurança Social.

Adega bateu a várias portas, mas ninguém se dispôs a ajudar

A direcção demissionária procurou soluções e bateu a várias portas para além da autarquia, nomeadamente à do Governo Civil de Bragança e da Direcção Regional de Agricultura do Norte. Ninguém se dispôs a ajudar. Casimiro Fraga sabe que a viabilização da adega depende também depende da vontade e empenho dos mais de mil sócios que ali entregam as suas produções de vinho. “O Governo, nomeadamente o Ministério da Agricultura, deviam olhar para estes casos, são milhares de famílias que ficam prejudicadas, que não terão onde entregar a colheita”, lamentou.
O dirigente está convicto de que se tivesse conseguido, pelo menos, um empréstimo no valor de um milhão de euros, a adega poderia prosseguir trabalhando. “Esse dinheiro já dava para pagar à Segurança Social, às Finanças e para liquidar uma parte das dívidas a fornecedores e negociar o pagamento do restante a longo prazo”, enumerou.
Casimiro Fraga defende que a Adega Cooperativa de Vila Flor teria todas as condições para prosseguir, porque tem muitos sócios, com vinho de qualidade da região demarcada do Douro, e está muito bem equipada. “Temos bom material, maquinaria de qualidade. É um crime deixar esta adega cair e morrer”, frisou.
Nos últimos anos a Adega Cooperativa de Vila Flor funcionava graças a um empresário de São João da Pesqueira, que arrendou as instalações e que recebia as uvas dos agricultores de Vila Flor e Carrazeda de Ansiães. Este ano a situação não se manteve e a queda da adega acelerou.
Muitos dos vitivinicultores daqueles dois concelhos ficam, agora, sem local para entregar a colheita.

Glória Lopes

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